quarta-feira, novembro 30, 2011

Catapora

Tudo parecia alguma coisa
E nada fazia sentido.
Inferno invertido
No irreversível domínio da contradição.

Substantivo, adjetivo e pronome indefinido
De nenhum sujeito
Esquecido intacto
No outro lado do seu abraço.

Toda despedida chega ao encontro
Do delírio catapora do louco.
Pintando em teus sentidos
Qualquer saudade vermelha.

Olhares do não dito
Entre as palavras mortas na garganta.
E o que antes parecia mudo,
Agora é amor afogado em mercúrio.

Leleco.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Ferida

Antes que alguém saiba que você está morto
Atire dez dúvidas no colo da viúva
E sorria com fúria na porta da funerária.

Antes que ninguém saiba que você está morto
Devolva seus farrapos de nuvens
E me fale do último sono.

O tempo vomita os ponteiros na vida
E no nome que se apaga.
Cada Deus possui o seu Demônio
Quando lambe a própria ferida.

Leleco.

terça-feira, novembro 22, 2011

Porta-estandarte

Deixa eu confessar o medo
Do que vem tarde ou do que vem cedo.
Deixa a minha foto pela metade
Que eu finjo que nunca houve inteiro.

Deixa o amor pensar que não preciso
Essa ausência embaixo do tapete nunca foi abrigo.
Deixa eu inventar aquilo que não minto
Só pra acreditar que consigo.

Deixa a saudade pronta
Na poesia esquecida em suas costas.
Deixa o amanhã amanhecer agora
E pode abrir todas as portas.

Leleco.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Lançamento


"Água mole em pedra dura, tanto bate até que vira livro!"

quinta-feira, novembro 17, 2011

Quizumba

São Paulo, oitavo andar.
Quatro, cinco, seis da madrugada.
Eu quero tocar você em lá maior.
Cheiro da falta em mim.
Eu não quero ir.
Aperto o peito enquanto espero.
Eu deveria ter guardado o seu sorriso dentro da garrafa.
Eu conservo o bigode.
Bigodes são antenas.
Parabólica saudade.
Acaso.
Eu caso.
Na Rua Augusta ou em Marte.
Outra dose de conhaque.
Trópico de Capricórnio.
Poesia de manicômio.
Sinuca.
Mordo a nuca.
"Não posso ser sua!"
O que é ser de alguém?
O amanhã é distante.
Qual é a senha?
O amor brincando de Jenga.
Pouco é quase muito.
Bar Puma ou guarda-chuva?
Adeus nunca esteve na moda.
Vai, mas volta...

Leleco.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Outras dúvidas

É tudo questão de cegueira?
É tudo questão de néon?
O espelho imitando quem eu não sou
Ou o sapato pisando ao contrário?

O que as coisas querem dizer
Na boca que soma ausência?
Amores de outros amores estranhos para mim
Ou aquele que jamais conheci?

Será o último dia do mundo
Na eternidade enrugada,
No lamento de tantas luas
Ou no suor da minha pele na sua?

Na dúvida ou antes que alguém esqueça
Adoro o seu beijo frio de cerveja.

Leleco.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Os sete passos da sombra

O mesmo demônio que queima ao contrário
Convida para as três mortes pagãs do sol.
Encontro o seu Deus na antiga palavra ateu
E em pequenas doses instáveis de perdão.

Línguas de fogo anunciam
O mais novo poeta de gaveta.
Atirando verdades viúvas
Em esquecimentos vazios.

É a escuridão percebendo o dia
Nesse grito surdo de rebeldia.
O futuro derretido no relógio
Enquanto os céus me condenam.

Afundo pensamentos e medos
Em travesseiros de insônia.
Ouçam os sete passos
Da sombra que me chama pelo nome.

Leleco.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Acordar

Acordo
Sempre de acordo
Você me beija e eu te mordo.

Leleco.

sexta-feira, outubro 21, 2011

O céu e não o seu

Naquele instante você sorriu
Cinza cor da guimba
E não reparou no verbo venenoso
Que usei pra te conjugar.

Fez o egoísmo morrer de inveja
Daquela velha idéia banguela
De atravessar o tempo
Fingindo qualquer inocência.

Acendeu sete ventos e guardou a chuva
Tentou cortar com os dentes
Aquilo que se despede na chegada
Como a vida gasta na vidraça.

Inventou outro mundo
E ainda procura por ele.
Na saudade além dos dedos
Sou o céu e não o seu
Soluço mais forte que a morte.

Leleco.

terça-feira, outubro 18, 2011

Setenta Minutos no Inferno

O sol que ilumina agora é frio e cor de chumbo
Setenta minutos no inferno
E um resto de pecado num canto da boca.

Rasguei cada salmo
De um livro que nunca li
E interrogo cada sonho murcho
Do cheiro de minha infância.

O tempo reverso de meus reflexos
Espelhados na memória que se perde.
Ausência que já não sinto
Na saudade de minha vida.

Leleco.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Abismo de Espelhos

É a tua própria laranja mecânica
Essa camisa-de-força 10mg
Que você engole com vodka
Na necessidade de se esquecer.

O que sabes sobre as traças do meu tempo?

Plantei vômitos em minúsculos banheiros
Desafiando a sósia de minha sombra.
Provavelmente, seria o bastante
Pra demonstrar quem fui.

Agora restou esse dó sustenido
Na coluna febril do meu corpo.
Essa boca seca
Do podre sal de nenhuma saliva
E o seu glaucoma que não enxerga o meu estado de coma.

A poesia não deu em nada!

Carne exposta mal passada, mão na coxa
Sua boca testando meus testículos
Suave orgasmo rouco e nada mais importa
Nem mesmo o desprezo ou piedade.

A poesia não satisfaz!

Coração alheio à incubadora
Aprendiz de solidão
Perca-se nesse abismo de espelhos
Até o escasso branco dos seus cabelos.

A poesia arde o silêncio de sermos reais.

Leleco.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Vertebrado

Espinha em espiral
Coluna cervical
Vertebrada fraqueza humana
Enquanto se desgastam os anos.

A verdade vertical contida
Na mentira divina.
Preservando qualquer excesso
De um Deus pelo qual não espero.

Oculto algum sujeito inválido
E equilíbro rimas em suas retinas.
É a vida que se apaga
Depois dos trinta ou antes da despedida.

Fim do primeiro ato.

Leleco.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Calibre 38

De tanto caminhar sobre céus
Comecei a remendar tempestades.
O seu sorriso-calibre 38
Não assalta mais a minha saudade.

Diante do seu amor estrangeiro
Quem sou eu sem ser eu?
As migalhas do esquecimento
Alimentando dúvidas de outras eternidades.

Tímido túmulo do silêncio
No abismo morto de seus beijos.
Minha lágrima é gargalhada no espelho
Onde nunca mais seremos os mesmos.

Leleco.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Um pouco de quase tudo

Um pouco de quase tudo
É o nunca que se inventa.
Fina mentira vazia
Alimentando o inferno particular dos seus dias.

Descubro hoje o amor que ignorava ontem
Ainda e sempre sutil.
As correntes daquela saudade fantasma
Já não me arrastam mais.

Sinfonia branca do adeus
Na morte dos minutos que colecionei.
Em algum lugar do jardim ou do espaço
Uma flor, uma estrela
Ainda esperam pelo meu abraço.

Leleco.

terça-feira, setembro 20, 2011

Supermercado

A saudade é um rinoceronte bebendo refrigerante
O amor é um cílio grudado no rímel
Sorriso rabiscado no rosto
Toda vez que eu te encontro.

Espirro o medo e arrisco
Entre serpentes marinhas e tormentas
Do mar que é o seu beijo.
A felicidade é uma promoção relâmpago
No supermercado da vida.

Agora vem, volta e não vai embora
Compra passagem só de ida
Diz que fica até o fim dos dias
E me faz sonhar margaridas.

Leleco.

terça-feira, setembro 13, 2011

Poeta ao molho passado

Ingredientes Necessários:

- 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz
- Alguns pontos de interrogação
- 4,5 Kg de Brahms
- 300g de sotaque de Drummond
- 50 ml de lágrima de sereia
- 1 amor Shakespeareano
- 1/2 Kubrick crocante
- Pitadas de Art Nouveau
- 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies
- 100g de Roy Lichtenstein
- 1 caneca de Lewis Carroll
- 1/2 livro inacabado de Hemingway
- 3 frases cruas de Oscar Wilde.

Modo de Preparo:

1- Em uma frigideira, aqueça 50 ml de lágrima de sereia e acrescente alguns pontos de interrogação, deixando-os fritar por uns 3 ou 4 minutos. Tempere a gosto e separe.
2- Em uma panela com profundidade, aqueça 1 amor Shakespeareano, acrescente 4,5 Kg de Brahms, 1 caneca de Lewis Carroll, 1/2 Kubrick crocante e 100g de Roy Lichtentein. Deixe cozinhar durante uns 2 ou 3 minutos em fogo médio.
3- Quando o amor Shakespeareano estiver na consistência ideal, acrescente 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz, pitadas de Art Nouveau e 300g do sotaque de Drummond. Misture-os com os ingredientes da frigideira de forma cuidadosa.
4- Pouvilhe 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies, 1/2 livro inacabado de Hemingway e estará pronto para servir.

Obs.: O prato poderá acompanhar 3 frases cruas de Oscar Wilde.

Leleco.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Triste é não ser

É a força do delírio, do orgasmo feminino
Triste é não ser
Louco ou mulher.

Eu gosto de complicar o complicado,
De experimentar o inesperado
Afogado no pecado
Cada qual com o seu Deus ou com o seu Diabo.

É hora de proibir o proibido,
De falar até ficar calado
Ser mais um fodido
Em busca de trocado.

Leleco.

terça-feira, agosto 30, 2011

Restos

Proibido amor de infinito
Rezando de mãos juntas o pecado.
Um silêncio enxuga as lágrimas de nosss falhas
E esse vazio soprando liberdade.

Cheiro do fim ou gosto de tarde
Essa falta que não arde?
Aquilo que ainda sonho quando acordo
É palavra esquecida em algum canto.

Nas longas noites de adeus
Sempre somos outros:
A ironia no rosto
E o egoísmo nos bolsos.

Leleco.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Desordem

Eu quero uma certa desordem
Nas constelações que fomos pelo chão
E nos minutos ruivos de ferrugem
Que morremos em qualquer inferno.

Descubro meus dedos
Em mãos diferentes.
Daquilo que sou
Sem jamais existir.

Ainda planto despedidas
Em jardins dos encontros.
Bocas gastas de palavras
Além da memória que se perde.

Leleco.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Cemitério

Grave em minhas mentiras
Greve em meus amores
A ausência entrego ao outro
E me queimo no próprio fogo.

Devoro a febre e cuspo demônios
Uma vida que perco
Nos grãos de cada sonho.

No centro do universo
Ainda carrego cemitérios
De futuros que se apagam
Em poucas palavras.

Um dia ninguém nos lembrará.

Leleco.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Quase Deus

Do céu escorre o azul
Enquanto enxugo a noite.
Acendo um fósforo e ilumino o Arpoador
Não há sol mais quente do que eu.

Debaixo da cama,
Escondo estrelas, sapatos e cometas.
Apago a lâmpada
E invento a escuridão, apocalipse e trombetas.

Sobre os mortos do seu tempo
Sou os fios brancos de meus cabelos.
E não há nada que substitua
O sol ou talvez a lua.

Naquele dia, quase pensei seus pensamentos.

Leleco.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Xadrez




Há algo estranho nesse cheiro de sombra,
Nessa falta do que fomos ontem,
Em nossos esquecimentos
De um todo para tantos divididos.

Onde nunca ganhei em meus tabuleiros?
Maravilha é o país de Alice, não o meu!
Amantes florindo grávidas de passado
Na barriga do tempo futuro.

Sei que vivo em xeque-mate
Nos seus lábios de vírgulas afogadas
Por aquele beijo ausência
Que perdi em minhas lágrimas.

Leleco.

sexta-feira, julho 22, 2011

Amnésia

Tão amanhã
Partir como quem nunca nasceu.
Teus antigos donos de razões prisioneiras
Encaram o olhar do Diabo
Ou apenas o meu?

Tão mortal
Esse gosto de viver
Entre tantos dias intermináveis.
E nem de leve desperta
O sentido do infinito despetalado.

Tão repleto de azul
Arrisco o vôo e insisto na queda.
Por dentro o mundo engarrafa
No correr dos corredores.

Daquilo que existirá
Sou o eco sem memória.

Leleco.

quinta-feira, julho 21, 2011

Das obrigações de saudade

Enxugo algumas chamas
E chamo por nuvens.
Apelo de um abismo
Em obrigações de saudade.

Afogo meu nome
No avesso de sua identidade
E na perna quebrada de minha sombra
Que caminha entre fantasmas.

Enterro o tempo reverso
De um velho deus desenterrado.
O silêncio entre o verbo partir e a frase
É vela que chora e não se revela.

Leleco.

quinta-feira, julho 14, 2011

Sobre o silêncio

Dessa vida vadia só restou
Esse jeito disfarçado de existir.
Dos amores que dobram em mim
Sou os passos que partiram sem voltar.

Alongo algumas insônias
E alugo os meus sonhos.
Sobe e desce os vidros do quarto
Sobre o silêncio feito imagem.

Pulsos atados pela dúvida
Na beira da madrugada.
Alimento delírios líquidos
Em frente ao espelho amarrotado.

Saudade do tempo em que meus olhos foram brasa.

Leleco.

segunda-feira, julho 11, 2011

Aquilo quase alma

Assim vive o inverso do que se diz
E todo mundo diz a mesma coisa
Penso, logo invento
E não escuto ninguém.

Volto a ser o que fui
Na condenação da minha rotina.
O nada imagina memórias esquecidas
Antes do fim do dia.

Arrasto qualquer vontade conversível de amar
Nos três espelhos que não pareço.
Algum inferno aquece aquilo quase alma
Enquanto queimo no pecado das palavras.

Leleco.

terça-feira, julho 05, 2011

Gaiola

É quase manhã
Na gaiola do tempo
E eu ainda nem sei se é falta ou saudade
Esse vazio de vidro a se quebrar por dentro.

Estou tomando algum sentido.

Um sorriso
Tão rico e não me pertence.
O próximo,
Cada vez mais distante.

Doce de abóbora
Sapato e gravata
Carne assada
Aprendi a odiar.

Estou pensando em casar.

Invento o último andar
Nuvens são girafas
Giro a garrafa e é uma vida que perco
Derramada no álcool.

Estou tentando ser imortal.

Leleco.

quarta-feira, junho 29, 2011

Rebeldia de Linguagem

O tic-tac do relógio
No tum-tum do coração.
Ping-pong e pinga em mim
O zigue-zague da solidão.

Ah, esse amor em rebeldia de linguagem...

Leleco.

Deixa

Deixa que o meu poema
Não tenha solução nem problema.
Assim como os mortos
Ainda vivem em suas idéias.

Deixa que eu rasgue o vento
No acaso esquecido do tempo
E se eu nunca mais regressar
Sou chuva sobre o mar.

Deixa que a noite naufrague
No amor em que sou tarde.
O adeus do último sono
Antes que a insônia acabe.

Leleco.

sexta-feira, junho 24, 2011

Bumerangue




Sei que é tempo de chegada
Do amor de um século qualquer.
Eu tenho o céu nos olhos,
A vida entre os dedos
E um sorriso queimado de som.

Eu tenho um abraço que abrigam casas
Pra você desfazer suas malas
E vestir a saudade de nunca mais.
Venha inventar caminhos em meus cabelos
Relógios e paredes
Não ferem mais o tempo.

Enquanto o dia se descobre
Adormeço burocraticamente em seu peito.
Passos pisam de leve essa areia
Do mar que nos levará além.

"Te faço um filho, te dou outra vida pra te mostrar quem sou..."

Leleco. (Para Débora)

terça-feira, junho 21, 2011

Bactéria

Eu vou escrever um bolero-bactéria
Pra infectar o seu silêncio
Com a canção do meu corpo frágil.
Alfinetar o próprio voodoo
Num ritual orgiástico das oferendas.

Evapora leve no ar
A modernidade, helicópteros e haxixe.
Enquanto notícias de minha carne
Escorrem em bocas médicas.

Bêbadas bruxas e suas misturas antibióticas
Servidas no café-da-manhã
Sustentam algum lirismo e prolongam a distância
Entre o desespero e o vazio.

Apodreço em mim mesmo
Ignorando os abutres do tempo.
Apago o nome da memória
E permaneço com o cheiro de minha infância.

Leleco.

sexta-feira, junho 17, 2011

Alerta Geral

Poesia virou emprego, salário e jornalzinho da PUC
Rimando abacate com avestruz
Pra impressionar menininha no facebook.
Com esse ar "pós-moderno",
O máximo que conseguirá é que o diabo lhe carregue.

Esse é o meu alerta geral:
Ser poeta é ir além,
Amar e viver como tal
E não apenas quando convém.

Leleco.

segunda-feira, junho 13, 2011

Monocromático Amor

Agora é hora de descolorir o amor:
Casas e cascos fechados em ti.
Correto e reto pra entortar a dois.
Trincos e trintas no tempo acorrentado em mim.

Limpos e lavados sonhos
Sepultados nos sertões de minha insônia.
O rosto inventado pelo espelho
Bebendo sede na angústia do depois.

Escudos e escamas de outras redes
Nas águas rasas de minhas lágrimas.
Ensaiei, inutilmente, a morte quase vinte vezes
Em bêbadas manhãs mal-dormidas de domingo.

Até pra morrer é preciso estar vivo!

Leleco.

quinta-feira, junho 09, 2011

Santa Paciência

Tornei a saudade cinza
Para que o amor produzisse o relâmpago.
Tenho um sorriso enfeitado
De dez poemas roubados.

Em mim criei o silêncio
Refletido na distância que mastigo.
E que venha a tempestade
Na palavra sem ser dita.

Se sou o soluço do relógio
É porque vivo deste morrer de espera sem fim.
Oh, Santa Paciência
Rogai por mim!

Leleco.

terça-feira, junho 07, 2011

Vulcão

Enterrei a idéia que ninguém lembra
Nos corredores de minha cabeça.
Acordei sonhando transparências
Antes da cor do meio-dia.

Arrastei o tempo morto
Pelas esquinas onde sou suicida.
Restou esse eco oco de coisa alguma
Em promessas novas de futuro.

Inventei alucinações semiloucas suas
Pra dissolver qualquer vazio da razão.
E o meu corpo ausência implora
Pela sua febre morna de vulcão.

Leleco.

quarta-feira, maio 25, 2011

Esgoto

Há tantas noites de outras noites
Na febre de meus demônios,
Na sua língua salivante-réptil
E no sufocante rosto pálido.

Há tantos búzios e Cabalas
Na vontade conversível dos desencontros,
Na arma carregada de futuro
E na carne devorada no estupro.

Há tantos vazios viúvos
Na loucura sambando na ponta do punhal,
Nas juras de amor mal-cheirosas
E nos fantasmas de minha mente-quintal.

É preciso inventar novos deuses neuróticos!

Leleco.

terça-feira, maio 24, 2011

Desencapado

Esqueleto do tempo
Despencando corpos no quarto inquieto.
Eu era um pouco da tua falta
No espaço vazio do meu abraço.
Sobrou apenas o seu esmalte descascado
Atravessando minhas costas.

E os fios desencapados de seus cabelos
Ainda queimam o travesseiro.

Leleco.

terça-feira, maio 17, 2011

Evils

Eu me dissolvo
Na ausência de chão.
Eu me abandono em você
E no domingo de seus pijamas.

Vestindo Copacabana disfarço solidão
Na crônica infiel da liberdade inútil.
Ateei fogo aos seus cabelos
Que é a cor que eu tenho agora.

Sou o mais original ao dormir
Sem a culpa que achei no lixo
"It`s now or never"
Cantou Elvis na camiseta sua.

Leleco.

sábado, maio 14, 2011

Esquizo

Boca roxa frouxa de uva sua
Suficiente para ficar louca.
Abelha mel melancolia
Do pólen saudade poesia.

Seu anti-Cuba, Coca-Cola choca
Sorriso cretino de Fidel
Fidelidade recheada com desgosto
Comunismo incomum invoca.

Seu hálito de zinco
Isótopos brincos oxidados
Abanando o ar da noite
Na perna nua da prostituta.

Seu delírio e xamanismo urbano
Esfaqueando o outono pelas costas.
Esquizo esquimó à porta do hospício
Bate o tambor em rítmo suicida.

Leleco.

sábado, maio 07, 2011

O Uivo

O tempo se esgota
Na tempestade rouca do mundo.
Cidade cemitério em festa
Margaridas negras devoram góticos.

Saudade atravessando relógios
Atlântico Samba-Ars antiqua
Metralhando em mim polifonia,
Poesia e possessão.

A vida no meu calcanhar
E o que restou do soluço?
Onze borboletas em meu telhado de lágrimas
Apenas eu!
Talvez ateu.
Já não há adeus.

O uivo condenado da alma
Minúsculo e quase nada
Vestindo o invisível peso da solidão.

Leleco.

quarta-feira, maio 04, 2011

Nota de Falecimento

É com pesar que comunicamos o falecimento do poeta Leleco, trinta e poucos anos, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, vítima de saudade aguda. Leleco era bastante desconhecido no meio, se especializou em relacionamentos efêmeros; porém, nunca publicou um livro.

Seu corpo foi encontrado pelas ruas de nossa cidade, na condição de indigente. Ao lado do corpo, haviam cinco poemas de Vladimir Maiakovski, uma garrafa de whisky vazia e a foto amassada de uma mulher. Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares e amigos nossas condolências.

Equipe Blogspot.

segunda-feira, maio 02, 2011

En Avant



Sempre em frente
Amor atrofiado
Enquanto a vida descobre
Que o tempo mergulha em sinfonia branca.

Depois, silêncio.
- Vazio burocrático da saudade -
É preciso seguir
Antes que transborde a chuva fina
Ou talvez meus versos.

Restou apenas
Essa bomba-relógio no bolso
Aprisionando o infinito.
Poderia ter sido ontem.
Poderá ser amanhã.

Continue caminhando...

Leleco.

* Foto: Débora Furtado/ Lyon, 2011.

quinta-feira, abril 28, 2011

Caleidoscópio



Quem sabe alguém me espere
Entre teus cabelos soltos,
No silêncio bíblico da heresia
Ou quando eu não mais existir.

Quem sabe alguém me encontre
No teu vestido de noiva,
Na neblina mofada da noite
Ou quando eu não mais resistir.

Quem sabe alguém me esqueça
Na solidão de cada existência,
Na culpa do que não fomos
Ou quando eu não mais fingir.

Quem sabe você me volte
No casulo de teus abraços,
No caleidoscópio assimétrico do nosso amor
Ou quando eu não mais desistir.

Leleco.

* Foto: Débora Furtado/ Paris, 2011.

terça-feira, abril 26, 2011

Âncora

Após muito lhe esperar,
Eu era a própria falta
Da memória onde eu não lembrava.
Depois, deixei além
Aquele ontem confuso.

Algo de nós permanece no chão do tempo
Quem sabe seja eu esse mar sem nuvens
Enrolado em seus braços.

Aqueço aquilo que sonhamos
Nos passos que voltam sós.
O céu sobe a minha saudade
E a chuva imagina a nova causa.

Leleco.

segunda-feira, abril 18, 2011

Véspera

Hoje é véspera de mim
E eu com essa cara de anteontem
Cuspindo a baba histérica do delírio
De nenhuma loucura.

Haja Deus e tantos Saturnos
Pra esse pobre coração soturno.
Não há tempo a perder
Quando é tempo de se perder.

Eu sou a orgia exagerada
Que molha a sua calcinha
Com medo de se afogar.
O vento vinha vinho em mim
E acordo ao seu lado
Embrulhado em plástico-bolha.

Beber e soluçar ressacas
Antes do fim do dia
Enquanto enrolo minha vida
No sabor menta de sua língua.

Leleco.

sexta-feira, abril 08, 2011

Abeille

Ah, essa velha abelha
No meu calcanhar.
Despetalando dúvidas
E divorciando saudade.

Eu mudo.
Eu me mudo.
Por debaixo das palavras,
Isso seria quase nada
Se não fosse quase tudo.

Aqui ausente de ti
É uma loucura tão infame
Desafiar o futuro soprando incertezas.

Abeille, je t'aime!

Leleco.

Fagulha




Inventei uma palavra oleosa
Para não escorregar
Nos olhos líquidos
Das vidraças míopes.

E você precisou sumir
E foi.
Por dentro a vida envelheceu
E não era o último dia do mundo.

Tudo acabou ficando úmido
No verso do silêncio
Enquanto minha insônia
Sonha com amor nenhum.

Ante o que fui,
Descubro o que sol
Apagado num sorriso quase febril,
Observo a alma secar no varal.

"Come on baby, light my fire..."

Leleco.

quinta-feira, março 31, 2011

Contém Álcool

Falta
Mata
Um
E existe
O que nunca foi
E sinto
Como sempre
Morro só por hoje.

Acordo caduco
Melancolia de menino
Cuspindo entulho
Liberdade que se aprende
Na tinta fresca do muro.

Poucas moedas moídas
Desequilibrando minhas pernas
Esmolo poemas
Verdades que são minhas
E não me sabes.

A volta
Há volta?
Desajeitado tempo ninguém
Envelhecido pelo álcool
Angústia absurda
E ela disse: "- Poeta é tudo filho da puta!"

Leleco.

terça-feira, março 29, 2011

Sábado de Aleluia

A carne vai sobrando
No prato vivo que não mastigo.
Guardo o sol longe do corpo
E lá fora, afogo o que ainda será fogo.

Esquisito é o meu implorar pelo frio
Ardendo almas e traumas
Da loucura do outro,
Na falta de sono
Do sonho que vai vencer.

Eu não me salvei
Dos litros de delírios que salivei.
E ofereço a saudade do que fui
Para Judas no sábado de aleluia.

Leleco.

sexta-feira, março 25, 2011

Vermelho pode ser violeta

O amor veste um amargo bordeaux
E vem me cobrar impostos.
É que desconheço a tal mistura
Da uva espremida na garrafa de vinho.

Quase cinza, sorri para o fogo
E todos me condenaram.
Ninguém me reconhece mais
Pareço até ser quem nunca morri.

Sopro baforadas de barulho
No silêncio intelectual dos ignorantes.
Esse acúmulo verde dos olhos
Na cegueira vermelha dos amantes.

Eu menti sobre mim,
Sou um ninguém chamado saudade.
Você sabe bem o que eu sempre quis:
Recitar poemas em cardápios de bar.

Naquele dia, você havia misturado
Vermelho com vinho perolado.

Leleco.

sexta-feira, março 11, 2011

Sommeil artificiel (O outro lado)

Dorme em mim
Assim, de leve.
Dorme aqui
Sonhando telas de Dalí.

Dorme, menina
A saudade asfixia
E nenhum ansiolítico
É melhor que o meu peito.

O mundo é pequeno
Entre o mito e o medo.
Ninguém chora o meu silêncio
Na palma da sua mão vazia.

Ah, esse sono de verão
No desprezo do inverno.
Tantos aquários da imaginação
Na solidão do travesseiro.

Leleco.

quarta-feira, março 02, 2011

Cólica

Traí
Distraí
Embriagado no tapete
Catando anjos microscópicos
Nas caixas do céu.

O cérebro procurando uma brecha
No universo, na lucidez
Ou além das vogais amassadas
De uma nota no obituário.

Ah, esse perfume velho da noite
Panfletando vagalumes inquietos
Na boca arreganhada
De algum Orixá.

Sufoco o riso e me dói o miocárdio
Sempre começo pelo fim
Por isso, nunca caso.
Trezentos dias
Em seus cabelos espalhados pela cama.

A melancolia e o sonho,
Caminham sobre lâminas.
Na cólica da virgem
O poeta se alimenta.

Leleco.

terça-feira, março 01, 2011

Bule Blue



Bule blue
Café e cafuné
Doce é o açucareiro,
Diabético é o amor.

Faca tramontina
Pão e requeijão
Saliva de menina
Às nove da matina.

No verso do envelope
Um demônio familiar.
Vontade de tossir um cigarro
Pra afastar mau-olhado.

Há bons dias esquecidos pela agonia
Depois de amanhã, serei o agora
Esvaziando o ontem
Na três por quatro da fotografia.

Leleco.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

L` hospice de Charenton

Aqui jaz
O amor lilás
Na ausência ardente das horas.

Tudo foi um mal-entendido
Entre o poeta e o divino.
A agonia de seus demônios
Nesse céu sombra azul.

Sobra-me um episódio de saudade
Da literatura suja de Marquês de Sade
Derramando em mim
O gosto pela eternidade.

Leleco. (Para Donatien Alphonse François de Sade)

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Cigarrilhas

Poesia embrulhada em papel de bala
Perfume de palavra suja
Deus esvaziou o mundo
E no meu cinzeiro,
Ainda moram algumas cigarras.

Desenho Kandinsky em suas coxas
Enquanto a ressaca me bebe as horas.
Ingênuo gênio pornográfico
Na monogamia da traição.

Tudo agora é outro parêntese
Você sorri lábios enquanto pinta as unhas
Eu te faço o jantar
E falo sobre a incerteza do fogão.

Leleco.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

A Valsa do Mendigo (Pedido de Casamento)

Me lave, meu love.
Me leve de leve
No doce mistério.
Silêncio poeira
Desfilando pervertidas pernas atrevidas
Na menina namoradeira.

Esfomeado corpo revolto
Parte, portas e portos.
Suspiro quase rouco
Em olhos de aeroporto.

Sempre pouca certeza nos bolsos
De algum velho amor novo.
Acendendo a mesma estrela
Em qualquer manhã amarela.

Melhor suor derretido em mim,
Abandonai a espera
E dance comigo
A valsa do mendigo.

Leleco.

sábado, janeiro 15, 2011

Sem dono

Arrepiei idéias
Entre cabelos soltos.
Tanto amor e agonia
Nesse agora incerto.

Esse olhar sem dono
Varre a noite confusa
Entre putas despetaladas
Na eternidade que não fomos.

A palavra sem ser dita,
A boca sem beijo
Chorando em silêncio
O adeus da margarida.

Leleco.

terça-feira, janeiro 11, 2011

A Febre

Mente mentirosa minha
Embaralhando loucuras
Sonhadas pelos mortos.

Retorna a febre e meus demônios
Na garrafa que antecede a solidão.
O tempo para que tarde
No chorar de choro antigo.

Estranha espera de abrigo
Por alguém que não existe
Ou que não verei nascer
No sorriso esquecido em mim.

Leleco.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

A Balada do Enforcado



Onze décimos de intervalo
Entre a mão que me segura e a queda.
Naufragado na neblina
Dos delírios de minhas esquinas.

O espelho e minhas interrogações
Arranhados pelo ontem.
Restou Rimbaud em mim
Vivendo e sendo a própria poesia.

Anotei silêncios em noites amassadas
Refletindo um pálido verde olho.
Por amor ou por desgosto
Permaneço enforcado pelo oposto.

Leleco.

sábado, janeiro 08, 2011

Loteria

Como havia em mim
O tal do amor,
Preferi me calar.

Esclareço, ao menos,
O preço da saudade.
Não há estupidez sem recompensa
Arrisco, fico e não desisto.

Vai, vem e volta
Enquanto dormem quilômetros.
De música e de sobra
A vida se renova.

Leleco.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Senhora Solidão

Senhora Solidão,
Conceda-me o prazer dessa dança
Que mata o tempo lentamente
Em algum olhar indiferente.

Senhora Solidão,
Esvaziei o mundo, a cabeça, a garrafa
E não encontrei nenhuma novidade.
O que ainda devo absorver enquanto me conservo?

Senhora Solidão,
A vida ficou surda
Diante do Evangelho de Judas.
A saudade se refugiou na loucura?

Por que não? - diz algum Deus.
Caminho entre túmulos que sonharam como eu.

Leleco.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Máscara

Agora chove chopp em mim
E água no asfalto.
Sinto falta de embriagar
As horas em você.

Cara máscara sobre o rosto
No desenho do outro em mim.
Cem mil reticências
Para chegar a algum Deus.

Logo eu,
Esse ateu convertido a enchofre
Enganando o próprio Diabo.
Tagarela bebida que não cala
Na poesia reduzida ao nada.

A França cansa meus neurônios,
Enquanto nada arrisco.
Brilha uma pequena lágrima
E ninguém tem nada a ver com isso.

Leleco.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

O Avesso do Inverso

Entre a dúvida e a certeza,
Cinco gritos morreram na garganta
No segundo que descobri o medo.

Corro pra fugir da tristeza
Que ainda chove em mim.
Pisando em falso
Em cannabis, jardins e Jesus
Numa louca procissão.

As curvas desdobram minha realidade,
Fazendo recortes nesse quebra-cabeça.
As chamas iluminam o meio-fio
Enquanto aperto no abraço um discreto vazio.

Eu não valho nada e sou ninguém.
Como qualquer poeta menor
Que carrega a difícil arte de existir.

No avesso do inverso,
Está o segredo do meu universo.

Leleco.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Homendigo

Homendigo
Por que escreves versos para analfabetos?
A sua loucura é tão invisível
Quanto o seu amor.

Homendigo
Por que esmolas por frágeis rimas?
Poesia não enche barriga,
Nem mil palavras matam a sede da saliva.

Homendigo
Por que insiste vestir sentimentos usados?
Ninguém pode notar
Eles estão muito ocupados para "twittar".

Leleco.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Curativo

O verão é outro inverno em mim.
E nesses dias do nunca mais,
Saudade que o vento traz.

Eu mudo junto com a temperatura,
Eu moldo planos moídos
E mastigo qualquer motivo
Na monotonia desse sol sem sal.

Eu compro enganos do último ano
Só para afastar dezembro de meus medos.
Continuo ardendo vícios com alguns adjetivos
No tempo que é quase curativo.

E foi por um Tico...

Leleco.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Porta-Retrato

Desço aos infernos
Traficando poemas de Drummond.
Algum rosto se ilumina com o fogo
Queimando um sorriso indeciso.

Ninguém tem culpa da vida
Que guardei nos porta-retratos
Enquanto outro dia rasga o seu azul
No céu de novidades.

E me resta esse olhar inquieto,
Fingindo poeta.
Apodrecendo qualquer imagem
Em rebeldia de linguagem.

Leleco.

segunda-feira, novembro 22, 2010

O Outro

Uns nos outros
Uns dos outros
Alguns perdidos
Outros cada vez mais raros.

Multiplico almas
E o que resta de mim nos outros?
Apenas um eu
Entre tantos esquecidos.

A pressa do meu fim
No espelho que o outro observa.
E quando eu for ontem
Que outro recordará?

Leleco.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Denise, gostava de meninas

Era São Paulo. Noite fria e chuvosa.
Após meia-noite, fui varrido junto com outros bêbados para fora do bar.
"-Ordens do prefeito", ele disse.
Implorei pela quarta dose de vodka (era preciso espantar o frio).
"-Tudo bem, mas vá beber do outro lado da rua", disse o garçom.
Sou resgatado por duas amigas de um amigo num carro preto. Uma era psiquiatra, a outra não sei (ou não lembro).
Fui parar no loft da psiquiatra e sou recebido por um cachorro.
Ela diz: "Ele só entende inglês!"
Pensei, segurando o copo plástico com vodka: "Que diabos estou fazendo aqui? Desde quando cachorro sabe línguas?" Mas preferi me calar...
A psiquiatra estica duas fileiras de pó sobre a mesa enquanto enrola uma nota de vinte reais.
"- Vocês querem?"
"- Não gosto de farinha. Só uso do preto!" - respondo.
"- Ah, tem aqui também!" (A outra mulher vai buscar o baseado enquanto a psiquiatra enfia o nariz no pó).
Era só uma ponta. Acendo assim mesmo e o saboreio (e quase queimo o nariz).
Em seguida, invento uma desculpa e vou embora do loft. Subo, novamente, a Rua Augusta à procura de uma balada rock`n`roll.
Encontro uma chamada : "Astronete". Rockzinho bacana e não estava muito cheio o lugar.
Neste momento, já estou completamente alcoolizado e levemente sob efeito da erva.
Subo numa cadeira, levanto uma cerveja e grito junto com a canção "I wanna be sedated!"
Na fila do banheiro, encontro Denise. Mulher com um sorriso bonito e simpática. Pergunto se o banheiro é coletivo. Ela responde que sim e percebe que eu não sou dali.
"-Você é carioca?", ela pergunta.
"- Sou e não sou!"- respondo.
"- Como assim?"
"- O Rio é minha mulher e Minas é a minha mãe!"
Conversamos por mais alguns minutos e ao ser perguntado o que eu faço, respondo que sou poeta.
Denise pede que eu faça uma poesia para ela.
Respondo que só faço caso ela me convença que merece.
Denise agarra uma menina e arranca um beijo interminável, enquanto eu observo.
Quando elas se afastam, Denise pergunta:
"- E aí, convenci?"
"- Posso mijar antes de você?" - respondo.
Já são mais de quatro da manhã e resolvo ir embora. Desço a Rua Augusta ao encontro do carro.
Ao passar em frente a um puteiro, sou convencido pelo segurança a entrar.
"-Vinte reais + quatro cervejas!", ele diz.
"-Você merece a tal poesia!", respondo.
E entro no puteiro. O lugar é bem escuro e tosco. As putas são horrorosas, algumas faziam apresentações de Pole Dance e outras conversavam com alguns "clientes".
Uma se aproxima e pergunta:
"-Você gostou da dança?"
Digo que sim.
"-Você é do Rio?"
Penso: "- Que merda, todo mundo me pergunta isso!" e balanço a cabeça afirmando.
Ela se afasta ao perceber que eu não queria nada além de observar.
Eu acompanho algumas apresentações das putas penduradas num poste tomando as cervejas que eu tinha direito.
Acendo um cigarro com uma delas e converso banalidades da vida. Enquanto uma outra, que se encontrava drogada, tentava me agredir com palavras. Já eram quase seis da manhã.
Saio de lá com uma única certeza: "Que falta me faz o Rio!"
Volto pra casa e durmo.
Amanhã não se sabe...

Leleco. (Para Henry Charles Bukowski)

terça-feira, novembro 09, 2010

Em órbita

Um dia em Saturno
Só eu e você
Sem gregos e troianos
Se não agora, quando?

Um mês em Marte
Simone de Beauvoir e Sartre
Amores necessários e contingentes
Ou qualquer coisa que ainda seja existente.

Uma semana em Mercúrio
O tempo curando as feridas
Uma canção band-aid
Assoprando a própria mordida.

Leleco.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Agora que passa

Doçuras e delírios
Onde o tempo se confunde
Na vida que envelhece em meu rosto.

Os horizontes de onde vim,
Já não são tão belos
Quanto a saudade do agora que passa.

Eu não sei mais o que escolher
Entre a idéia e a falta.
No último gole dessa cachaça
A lua soletra o medo do torto poder ser reto também
Afinal, "libertas quae sera tamen".

Leleco.

quinta-feira, outubro 07, 2010

(Amar)go

Queimo delírios
Na agonia vertical da vida.
Enfeito enganos no chão que me espanta
Dos que partem sem voltar.

A loucura é curva sem cura!
Onde não dormi meu último sono?
Há bueiros e bucetas respirando desespero
No sol que é solidão.

O nada imagina o não ser
E derrete a dúvida em mim
Da rotina que atrai a rotina
E envelhece a poesia.

Qualquer coisa acontece
Sobre o nunca que se inventa
E a certeza da hora marcada
No silêncio de minhas palavras.

Leleco.

terça-feira, outubro 05, 2010

(Es)trago

(Es)trago a pessoa amada em seis meses.
Esse é o meu dom!
Insatisfação garantida ou o seu sorriso de volta!
Quer experimentar?

Longe de feliz para sempre
Cai a noite e o esquecimento
E agora você sabe
Que minhas asas esfarrapadas
Nunca foram de anjo.

Leleco.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Nem tudo que gira é sol

Engatilhei silêncio
E atirei vogais.
Nem tudo que gira é sol
Nos jardins de mim.

O céu me condena em seu azul
E nada é tão certo
Diante do soluço das horas
Quando esqueço que sou só.

Preservo qualquer excesso
Alimentando um sorriso sem jeito.
Hoje confuso
Na saudade de acender meus delírios noturnos.

Leleco.

domingo, setembro 26, 2010

Apenas eu

Bebeu e rodopiou sua insônia
Gritando de um jeito estranho: "C`est la vie!"
E chorou no quintal dos esquecidos.

Em luzes de sombra
Procurou por passos
Ou algum sentido que a faça existir.

Vestiu a saudade de tudo
Na avenida dos desencontros
E quase remendou o seu surto.

Inventou sorrisos
E não se reconheceu.
Era o tempo culpado
Ou apenas eu?

Leleco.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Chansons de la peur

Era o mesmo homem sentado diante da vida. Nada parecia ter mudado após trinta anos. Falava de amor em línguas estranhas, desafiando o falso saber da juventude. Virou a última página do desejo e riu de si mesmo sem nenhum sentido. Pagou o alto preço de ser escritor.

Anotou num papel pequeno que nem todo sexo é cristão e fingiu esquecê-lo no banco da igreja. Ingenuidade geminiana daquele homem em acreditar que só se morre uma vez. Prometeu parar de fumar e começar uma dieta na semana que vem. Algumas pessoas precisam, realmente, acreditar nisso.Esqueceu como se escreve 500 em algarismo romano e pensou:“- Que diabos está havendo comigo?” Dirigiu sem usar a marcha ré, sentiu frio embaixo do sol, lembrou do seu filho e como chorou. E quis voltar a pé.

Inventou a fraqueza só pra se sentir mais forte e assim continuou... Acendeu alguns amores e quase casou com a solidão. Bebeu pra espantar a timidez e como cantou. Percebeu os olhares e alguns adjetivos, mas ganhou um delicado beijo na testa.

Tentou dormir, tudo rodou, quis vomitar e pensou: “Será que amanhã vai chover?”


Leleco.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Avesso

A partir de agora,
Serei de mim a parte que restou.
O ar irrespirável do lado de fora
Nas primeiras horas da vida.

Modernas maravilhas antigas
Exibem no avesso do hermafrodita
A neblina apagada de sua rebeldia.
Ainda posso contrariar a teimosia fingindo esperança?

Nada pior que esse incômodo neurônio
Acordado às quatro da manhã
Embranquecendo meus cabelos
E cochilando os meus sonhos.

Leleco.

segunda-feira, agosto 30, 2010

A idade do nunca mais

Na ponta da ponte,
Aponto meus prantos.
Impotente inconsciente
Na dúvida do desencontro.

Traço o que fui
E durmo além da agonia de nascer palavra
No mais imenso dos riscos.
Sete amores amargos
No aroma que anuncia a partida.

Estranhamente, devoro o passado que o diabo amassou
E acordo abraçando as cinco pontas.
Depois dos trinta,
Disfarço a insegurança e o medo
No espelho que revela a idade do nunca mais.

Leleco.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Um homem chamado Ninguém

Eu não vou escrever nada
Além do que você já sabe ou deveria.
Eu não uso loção pós-barba
Aliás, eu nem faço mais a barba.
Calculo o amor pela ausência
E cada qual se encontra só em sua suficiência.

Eu não acredito em Deus nem no Diabo
E eles também não devem acreditar em mim.
Duvido quase sempre do que penso
Afinal, existo, logo penso.

Derramo vinho no meu ex-tômago
Armo a bomba!
E tudo queima dentro de mim.
Você ainda quer que eu sorria
E ofereça alegria?

Leia o meu silêncio, finalmente, bem educado
Todo psicólogo é psicologicamente pertubado.
Eu não creio em santos e sábios,
Só confio na palavra simples e pura da puta.
Antes de morrer,
Toda sabedoria é nula.

Respingo verdades quando convém,
Engano o vazio alimentando um bêbado equilíbrio,
Esqueço e sou esquecido pela banalidade coletiva.
Todo mundo diz a mesma coisa:
"Poesia não vale um vintém!"

Leleco.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Insetos Incertos

Incansáveis vagalumes de ontem
Por que ainda escurecem minha poesia?
Eu grito percevejos do eco
Diante desse espelho do absurdo.

Aqui, ausente de tudo,
Arrasto o tempo por descuido
E espero alguma esperança
Já que estou face a face com Deus
Vendo que sempre tive razão.

Exijo a urgência da vida
Sufocando a mim mesmo
E desafio qualquer mosquito
A compôr uma sinfonia em meu ouvido.
(Pode ser Bach, pode ser Gonzagão)

Conservo meus pecados
Na falta de pesticida.
Decifro o sorriso dos insetos insanos
E lá se foi mais um ano...

Leleco.

terça-feira, agosto 10, 2010

Invisível

Um vale o outro
Dos quais só um
Abandona o outro lado.
Vinte segundos virado ao avesso
E me torno vários.

Alguém aceita o meu buquê de neurônios?
Ao que tudo indica,
Continuo vivo nesse corpo escorregadio.
Desvio vadio do equilíbrio
Nas quedas que eu não arrisco.

Agora pareço um quadro qualquer de Renoir
No meio desse silêncio branco
Querendo ser tudo e aceitando não ser nada.
Esquecido na poesia não lida de suas virgens filhas
Ah, como eu queria ter escrito a Bíblia...

Leleco.

sexta-feira, agosto 06, 2010

A Mariana que me encanta



Durante toda a minha existência, esperei libertar borboletas no aquário. Hoje é o dia! Hojé é o dia dela! Hoje é o dia M.! Mariana, Margarida, Marga-linda... a invenção da vida carrega consigo uma sutileza em cada sorriso.
Provo, pela contraprova, que o amor produz por si próprio uma vontade infinita de sentidos. O tempo não pára, mas resistir é preciso! Já dançamos em pontas de cigarros, bebemos litros de saudade, construímos pontes e estradas que nos levaram para a cama.
Mariana ama, canta e encanta cada fração do meu dia. É o meu pensamento constante, luxo e lixo de minha poesia. Mariana é a busca incansável e apaixonada do que é ser e que se define justamente pelo encontro da força que escorre do seu olhar.
Depois dela, nada será novo. Arrisco ao máximo a felicidade, abandono tudo o que me dá segurança e mergulho nesse desconhecido. Mariana é o meu novo a cada linha, a cada beijo e a cada simplicidade com que reinventa nosso início a cada manhã.
Então, é tudo contra nada!
Trata-se de uma outra vida, e ela me devolve a velha juventude indestrutível.
Deixai florir espartilhos, aventuras, canções, poesia, casa, estrelas, filhos e migalha.
Afinal, o amor não volta para pedir razão.

Feliz Aniversário, Mariana!
Amo-te completamente!
Daqui até depois do sempre!

Leleco.

terça-feira, agosto 03, 2010

A gosto da leoa


No sete que se completam dezenove,
Nada deve permanecer imóvel.
Outro nome em outros batismos
No teu mar de Agosto.

As sobras do tempo e a vida crua
Deslizando pelo teto empoeirado do Empório.
Entre Marte e Mercúrio,
Mergulho no gim todo o meu orgulho.

O eu do meu bem,
Anjo decaído de uma fé cega
Plantando e implantando
Sorriso em pedra.

Viva nossa geografia
No azul céu do lençól.
Dormindo o amor em meu sonho
No mês do cachorro-louco.

Acordo cantando baixinho:
"Gosto muito de te ver, leãozinho..."

Leleco.

quarta-feira, julho 28, 2010

11:56 pm de um futuro qualquer

O amor absolve ou condena
A distância que a balança equilibra?
Tantas rotas quase roucas
Do tempo que é solidão.

As paredes soluçando o infinito
Desde o fim até o princípio.
Pelas mortes que morri,
Deus precisa de mim para existir.

Um luto nos relógios
Pra esquivar essa insônia.
Tinta que não chora nunca
No verso prisioneiro de sua crônica.

Era apenas eu embaixo do seu lençól?

Leleco.

terça-feira, julho 27, 2010

Tempo são

Pílula
Pupila
Cada um
Todos
Aquilo
Outros.

De repente
É preciso
Grito ruído
Venta
E ninguém lamenta.

Desordem
Dilúvio
Delírio por delícia.
Mímica mistura de mim
Isso não é doença
Todo capeta toca punheta.

Tempo são
Substantivos
Substância em solução.
Não vivo sem
O que o fogo mantém.

No fundo flutua
A solidão da puta
Antes de tudo
Ignoro os atributos.

Vagabundo poeta
Atira palavras, nunca pedra.
E diante da idéia
O bêbado repete La bella.

Vaso vazio
Casaco de frio
Amor de margarida
Ninguém duvida.

Leleco.

segunda-feira, julho 19, 2010

Melhor que cem

Um faz viver o outro
E faz renascer no outro
A antiga definição do amor.

Acima de toda esperança,
Encontro o futuro
Na certeza do beijo.
E no coração, meu bem
Não cabe mais ninguém.

Dobro a falta
Nesse nó de nós dois
(Meio-caminho entre a presença e a ausência).
Vento silencioso do abraço
Na despedida dos meus passos.

Desfio a vida
E repouso sobre sua barriga.
É, pouca gente sabe, meu bem
Que um grande amor é melhor que cem.

Leleco.

terça-feira, julho 06, 2010

Bendito



Três vezes bendito
Como se silêncio fosse
Trocar o dito pelo não-dito.

Pedro pescando modernidades
Na divina festa dos homens.
Despertando o riso dos deuses
Escondidos no bolso do padre.

Ela se estica
E tudo estala nos corredores de minha cabeça.
Descubro a mulher de minhas mil vidas
Entre a tontura e a ressaca.

A saudade que corta
É a aliança da próxima estação.
Bendito seja nosso delírio!

Leleco.

quarta-feira, junho 30, 2010

Ontem

Parece que foi ontem
O tempo solto no seu sorriso
E que eu tão distraído
Pedi duas cervejas e um mojito.

Parece que foi ontem
O seu jeito de andar pisando em nuvens
Entre tantos pés indecisos.

Parece que foi ontem
Distâncias e margaridas
Somando estrelas espremidas
No céu de minha cama.

Parece que foi ontem
O amor rasgando nossa boca
E eu traduzindo o Moska.

Parece que foi ontem
Aquela saudade sem eira nem beira
Pelo simples fato
Que hoje ainda é quarta-feira.

Leleco.

quinta-feira, junho 24, 2010

O Papagaio do Analista

Acordei sustenido
Suspenso pelo cansaço
Daquela velha fuga em sol menor
Que nunca fez sentido.

Afoguei verdades
No ventre de tua mãe
E ainda me faltam abrigos.
Calei a palavra repetida
Pelo chato papagaio do analista.

Esmaguei a cabeça
Em alguns pensamentos
Para lembrar quem eu fui.
Pode ser a minha cruz
Ou qualquer cruzamento.

Esqueci no meu corpo
O desequilíbrio da certeza.
Enganei a mim mesmo
Acompanhado de uma indispensável fraqueza.

Leleco.

quarta-feira, junho 16, 2010

Batata Frita


Comecei a engarrafar
Nuvens, almas e deuses.
Alimentei com beijos
As estrelas do céu, do mar e do pulso.
E, bem no fundo,
Toda loucura debocha do absurdo.

Algo ama além de nós dois
Nesse sorriso infinito
Que dobra em mim
Ou na palavra de vidro
Que invento pra existir.

Acordei transformado em saudade
E andei com cuidado
Enquanto a vida corria lá fora.
Olhei para o espelho e pensei:
" - O amor é uma batata frita roubada!".

Leleco.

terça-feira, junho 08, 2010

Insônia no mato, me mata.

Piso no seu passo
E o tédio queima no meu dedo.
Restou a sombra
Que você esqueceu na cama
E algumas manchas.
Abracei o frio só pra distrair um sorriso
E fingi ser meu vício.

Toda insônia é infiel
No meu vadio sono.
Abandono o silêncio dos ruídos
Na fuligem dos famintos.

Não há dúvida na despedida
Nem na ferrugem dessa poesia.
A saudade rouba e não devolve
A noite que engoliu o dia.

Leleco.

sexta-feira, junho 04, 2010

Um chopp com Chopin

Cada nota musical
É uma bolha de sabão
E haja Chopin pra tanta imaginação.
Tudo é desconhecido e belo
Quando morro de novo.

Pão de queijo com cerveja
Nem sempre combina tão bem
Quanto o seu beijo molhado.
Fui saudade, sou amor
Na tarde cinza que o tempo inventou.

Nariz gelado geleira geladeira
Na neve da despedida.
Nossa vontade escorrendo dos cabelos
E debruçando nas retinas.

Case-se comigo
Enquanto ainda é fácil sustentar algum lirismo.

Leleco.

segunda-feira, maio 31, 2010

Constelação

Anoiteceu
E nenhum Ogum apareceu.
Rodam raios e nada arrisca
Aquele homem artista.

Diamantes e rubis
No carnaval do Arlequim.
O silêncio do não ser
Na gritaria em mim.

Deus é tão ateu quanto eu
Quando bebe o tempo lentamente
E mata na garganta
A melancolia de qualquer poesia.

Cantigas de ninar
Antes que o futuro
Não se deixe mais amar.
Sombras de sim
No céu de tanto não.

Herdei da vida essa tal constelação.

Leleco.

sexta-feira, maio 28, 2010

Privada



Acordei tarde demais
Pra sentir quem eu fui.
Afogado na ressaca dos que bebem
A solidão das paredes.

Aquele que recolhe almas
Também desmaia estrelas pelo escuro
Do cinza em que me deito
Na infinita tinta do muro.

Um frio fino rasga o meu torto sorriso
Tudo é colorido e misturado com álcool.
Depois e antes
A privada se tornou a minha amante.

Leleco.

quarta-feira, maio 26, 2010

A saudade é um ovo mexido (mini-poema de amor)

Agora eu existo
No verso mastigado de nenhum artista.
Alguém gira a minha vida
E tudo parece
Ovo mexido e poesia.

Da esquerda para a direita,
O relógio marca o nascimento e o fim.
Antiga repetição monótona
Da saudade em mim.

O amor feito de tempo
Atravessa o espaço até você.
Entre e além da cama
Permaneço devorando o tédio da semana.

Leleco.

sexta-feira, maio 21, 2010

Emotional Hardcore


Nada nos livros
Ou em lugar nenhum.
Tudo agora é mentira!
Afinal, o que devo entender por verdade?

Na hora certa,
Deus não suportará o silêncio dos poetas.
É melhor assim!
E que horas são?

Quanto mais eu corro risco,
Mais me afasto do perigo.
Quem se importa
Se a imbecilidade tornou-se moda?
Esqueça as minhas paranóias
E enfie no cú essa nova Geração Coca-Cola!

Leleco.

terça-feira, maio 18, 2010

Eu-líquido

A chuva nasceu no meu quintal
E molha o meu coração suburbano.
O medo treme de frio
Do amor que afogou o meu Rio.

Os retratos voltaram a sorrir
Enquanto a goteira
Pinga beijos em minha boca,
Gastando o meu silêncio
E moldando o seu corpo.

Lavei e limpei a alma
Nas águas que espalham outras águas.
A solidão escorre pelo ralo
Junto com a sujeira que navega pelo asfalto.

"Nadando contra a corrente
Só pra exercitar?"
Cazuza não sabia que nandando contra
A gente pode se encontrar.

L.Eco

domingo, maio 16, 2010

Nem tão santa é a minha Teresa

Comecei a me arrancar
E tudo que cai não é mais antigo.
Guardo em mim essa nova flor
Crescendo em nossos netos, meu amor.

Aluguei a felicidade só pra você
Hidratar o meu coração,
Sorrindo sua tímida tinta dos lábios
E a palavra sem ser dita.

Como se algo pudesse ser dito
Além dos olhos de cachaça, chopp e choro.
Vamos vivendo assim
Entre a ausência e o que há de vir.

E descemos as nuvens de concreto
Pendurados no cometa...

Leandro ou Leleco.

sexta-feira, maio 14, 2010

Na moldura (Para Leleco)


Qual é o gosto do gostoso?
Onde a sede e a fome se tornam banquete?
Invento as loucuras mais incertas
No vazio de mim.
O céu se lança ao mar desnudo
Tudo é tempo, templo, túmulo.

São os minutos moleques
Acelerando os ponteiros
Na moldura dos meus trinta e um.
O que ainda faz parte do que restou?

O silêncio de um domingo no ouvido?
O medo lento do meu nada?
Ou a dança do átomo?
Agora e na hora exata
Esse mesmo intenso imaginar.

Sempre quero mais!
Onde estou que não me encontro
Na voz do eco
Sagrado e profano
Chamado Leleco?

Leandro.

domingo, maio 09, 2010

602 só a dois

Eu sou a alegria dilatada,
O amor e seu inverso.
Esparramado na cama
Devorado pelo sexo.

Acende o desejo
E apaga o medo.
Tudo o que a gente quis
E você repetindo: "- Lê, só se vive por um triz!"

Suor e sangue entre nós
Exatamente virginais.
O sorriso e o gemido acordando o Catete
Ah, eu te amo muito pra cacete!

Leleco.

domingo, maio 02, 2010

Um dia em Guaratiba (Para Mariana)


Eu e Ela
Vivemos de brisa,
Ardemos em brasa esse amor.
A luz nos olhos,
Olhos em mim.
A sede da saliva e cerveja
Na minha boca
Dizendo que sim mais tarde
E isso ainda não é nem a metade.

Nesse aquário,
Todo mar é nosso!
Você me jura a felicidade
Na canção ao meu ouvido
Fecho os olhos e desafio o infinito.

Cutuco o gato
E atravesso o dia
Pensando na foto, na família
Na Pedrita e no Pier.

E já é quase madrugada em Pedra de Guaratiba.

Leleco.