Havia alguns meses que eles não se encontravam após a separação.
- Posso te falar de homens? (ela disse)
- Tanto faz. (ele respondeu)
- Os meus últimos relacionamentos tem sido com gays.
- Eu sempre disse que gay come mulher.
- Ah, hoje em dia, só há três tipos de homens: Os idiotas, os gays e as raridades. (ela disse)
- Hum... e em qual categoria eu me encaixo?
- A das raridades. (ela respondeu)
- Acho que ser "raridade" afasta as mulheres. Os idiotas e os gays é que estão certos.
- Por que você diz isso? (ela perguntou)
- É só perceber no que a gente se transformou.
Leleco.
segunda-feira, outubro 08, 2012
quinta-feira, outubro 04, 2012
Até Eu
Assim como antes era qualquer eco oco criado
Agora era o vexame do santo enganando milagres
Que engasgava o meu riso.
Havia tão pouco de verdade que não imaginei
Onde eu parecia fingir
Que talvez fosse o mesmo de sempre.
Aquele ninguém a não ser minha própria heresia
Na boca arreganhada de um Deus da igreja que nunca existiu.
Eu muito antes de você
Já morria em tua solidão.
Leleco.
Agora era o vexame do santo enganando milagres
Que engasgava o meu riso.
Havia tão pouco de verdade que não imaginei
Onde eu parecia fingir
Que talvez fosse o mesmo de sempre.
Aquele ninguém a não ser minha própria heresia
Na boca arreganhada de um Deus da igreja que nunca existiu.
Eu muito antes de você
Já morria em tua solidão.
Leleco.
terça-feira, setembro 25, 2012
A Barca de Caronte
Era uma espécie de não ser
Aquela ressaca das primeiras lágrimas
Vestindo a minha próxima chuva.
Invento novidades que ignorava ontem
Pra dizer o que não sei.
Não existe verdade na arte,
A mentira deriva viva do valor.
É preciso suportar o silêncio sujo dos poetas
E os amores que sabem suas mortes.
Algo alma o abandono
De toda velha esperança.
Leleco.
Aquela ressaca das primeiras lágrimas
Vestindo a minha próxima chuva.
Invento novidades que ignorava ontem
Pra dizer o que não sei.
Não existe verdade na arte,
A mentira deriva viva do valor.
É preciso suportar o silêncio sujo dos poetas
E os amores que sabem suas mortes.
Algo alma o abandono
De toda velha esperança.
Leleco.
sexta-feira, setembro 07, 2012
Axônio
Eu sou o outro dizendo a própria coisa
Ainda que o outro não seja eu.
Cada um no seu lugar nenhum
Quando fui embora de mim mesmo.
Acredito esquecer que existo
Antes de lembrar o que não encontro.
O abandono invertendo o corpo
E inventando invernos sem tempo.
Derramo qualquer mal de amor
No dilúvio viúvo das virgens.
Por si só espalho solidão
Na forma falsa do inferno.
A mentira é a verdade que não deu certo.
Leleco.
Ainda que o outro não seja eu.
Cada um no seu lugar nenhum
Quando fui embora de mim mesmo.
Acredito esquecer que existo
Antes de lembrar o que não encontro.
O abandono invertendo o corpo
E inventando invernos sem tempo.
Derramo qualquer mal de amor
No dilúvio viúvo das virgens.
Por si só espalho solidão
Na forma falsa do inferno.
A mentira é a verdade que não deu certo.
Leleco.
domingo, agosto 12, 2012
Asma
O resto era agora o que sei
E o que não está além disso é o que tinha de ser.
Eu sorria para uma ausência futura
Enquanto a palavra me repetia.
Fingia que não precisava fingir a saudade
Como um sol fora de estação
E então eu não queria mais nada daquilo.
Sou contra tudo que penso
E penso quase tudo contra.
O talvez sempre me fez mais sentido
Quando morrer é o menor dos riscos.
A verdade me dá asma.
Leleco.
E o que não está além disso é o que tinha de ser.
Eu sorria para uma ausência futura
Enquanto a palavra me repetia.
Fingia que não precisava fingir a saudade
Como um sol fora de estação
E então eu não queria mais nada daquilo.
Sou contra tudo que penso
E penso quase tudo contra.
O talvez sempre me fez mais sentido
Quando morrer é o menor dos riscos.
A verdade me dá asma.
Leleco.
quarta-feira, julho 18, 2012
Crematório
Eu nunca soube sobre o sempre que invento
Antes do talvez de cada verso.
O tempo e sua eternidade minúscula
Devoram os deuses que não rezaram por mim.
Passos pisam suas outras esquinas
Para que o poema seja além do pó
Esparramado no desencontro da vida
Quando eu não mais existir.
Amanhã seremos nós mesmos
Dormindo no domingo das neblinas
E no delírio refletido de meus livros.
Renasceremos.
Leleco.
Antes do talvez de cada verso.
O tempo e sua eternidade minúscula
Devoram os deuses que não rezaram por mim.
Passos pisam suas outras esquinas
Para que o poema seja além do pó
Esparramado no desencontro da vida
Quando eu não mais existir.
Amanhã seremos nós mesmos
Dormindo no domingo das neblinas
E no delírio refletido de meus livros.
Renasceremos.
Leleco.
terça-feira, julho 10, 2012
Subúrbios
Desfeito pela frase,
Cancelei o que veio depois.
Nada além do que tenho
É aquilo que já foi.
Eu sem céu
Ou alguma coisa do meu ontem esquecido agora.
O tempo reclamando bêbado de suicídio
Dos amores patéticos de subúrbios.
Eu esperava por um olhar ausente de aborto
Exibindo poses de hospício para o espelho.
Era o meu quase amor em sua forma
Aquele sol de nenhum girassol.
Leleco.
Cancelei o que veio depois.
Nada além do que tenho
É aquilo que já foi.
Eu sem céu
Ou alguma coisa do meu ontem esquecido agora.
O tempo reclamando bêbado de suicídio
Dos amores patéticos de subúrbios.
Eu esperava por um olhar ausente de aborto
Exibindo poses de hospício para o espelho.
Era o meu quase amor em sua forma
Aquele sol de nenhum girassol.
Leleco.
terça-feira, junho 19, 2012
Um dia para muito longe
Alguém acaba de dizer
Que não sabe onde está o que deixou de dizer.
Almas perdidas perdendo alguns pecados
À espera do Diabo sorrir na barriga de Deus
Anunciando que alguma coisa deu errado.
O que queria o que não sou
Até o fim daquilo que eu era?
Sufoco o foco através do espelho
Entre a solidão e o parto do sol.
Nada se fez febre no frio
Atropelando o vento e o pavio.
Rasguei o caos no ventre da vagabunda
Em busca de pedacinhos de paraíso.
Eu fui naquela noite um dia para muito longe.
Leleco.
Que não sabe onde está o que deixou de dizer.
Almas perdidas perdendo alguns pecados
À espera do Diabo sorrir na barriga de Deus
Anunciando que alguma coisa deu errado.
O que queria o que não sou
Até o fim daquilo que eu era?
Sufoco o foco através do espelho
Entre a solidão e o parto do sol.
Nada se fez febre no frio
Atropelando o vento e o pavio.
Rasguei o caos no ventre da vagabunda
Em busca de pedacinhos de paraíso.
Eu fui naquela noite um dia para muito longe.
Leleco.
terça-feira, maio 29, 2012
Aborto
Descobri depois do soluço
O vômito violento do vento
Cortando cortinas cardíacas
Do mesmo outro eu caduco.
Dúvida daltônica desiludida
Em copos cínicos de cianureto
Afogado na salvação divina
E confinado no próprio medo.
Nada esconde o ontem
Abortando o futuro
Antes que cedo ou tarde
Tudo se torne repetido.
A ausência é uma abertura para além.
Leleco.
O vômito violento do vento
Cortando cortinas cardíacas
Do mesmo outro eu caduco.
Dúvida daltônica desiludida
Em copos cínicos de cianureto
Afogado na salvação divina
E confinado no próprio medo.
Nada esconde o ontem
Abortando o futuro
Antes que cedo ou tarde
Tudo se torne repetido.
A ausência é uma abertura para além.
Leleco.
quinta-feira, maio 17, 2012
Verme
Era um quase nada o que já não era eu
Enterrado vivo do outro lado da frase fria.
Alguma coisa parecia feita de poesia
Na palavra cortada da boca que morria.
Acordei como quem não dorme
- Vadia covardia minha -
Ao redor apenas havia
Nossa sombra soluçando o dia.
Outro ontem derramado a teus pés
Ânsia fúria afundada na lembrança
Ilumina cemitérios em festa
Enquanto o verme devora o que resta.
Leleco.
Enterrado vivo do outro lado da frase fria.
Alguma coisa parecia feita de poesia
Na palavra cortada da boca que morria.
Acordei como quem não dorme
- Vadia covardia minha -
Ao redor apenas havia
Nossa sombra soluçando o dia.
Outro ontem derramado a teus pés
Ânsia fúria afundada na lembrança
Ilumina cemitérios em festa
Enquanto o verme devora o que resta.
Leleco.
sexta-feira, maio 11, 2012
segunda-feira, maio 07, 2012
Mentolado
Onde deixei o beijo que nunca dei?
Eu já quase não gosto
Do gosto rouco escondido no seu rosto.
Passa pássaro cinza luz de cineasta
E você descartando o amor em canastra.
Fossa funda de qualquer buraco
Na lágrima atrás do retrato.
Até onde lembro
A sua mentira escondia um sabor menta.
Débil beleza de donzela
Enquanto eu só quero comer com coentro.
Desafio rugas rindo do próprio ridículo
A revista Veja não viu o meu último livro.
Sou esquecido naquilo tudo que não tem fim
E você diz que existir não depende só de mim.
Leleco.
Eu já quase não gosto
Do gosto rouco escondido no seu rosto.
Passa pássaro cinza luz de cineasta
E você descartando o amor em canastra.
Fossa funda de qualquer buraco
Na lágrima atrás do retrato.
Até onde lembro
A sua mentira escondia um sabor menta.
Débil beleza de donzela
Enquanto eu só quero comer com coentro.
Desafio rugas rindo do próprio ridículo
A revista Veja não viu o meu último livro.
Sou esquecido naquilo tudo que não tem fim
E você diz que existir não depende só de mim.
Leleco.
quarta-feira, maio 02, 2012
Tumor
Ainda por não entender
Permaneci pisando em reticências.
Todo poema é letra morta
Sem a culpa do suicídio.
Era aquele Deus anêmico
Tão disposto a não ver defeito exposto
Que alimentava em mim nenhuma fé?
Esqueça o que eu disse sobre o ontem
É hora de desmentir o futuro.
Descubro o grito antes do susto
Na boca seca pela sede
De água cor do afogado.
Somos o tumor do tempo.
Leleco.
Permaneci pisando em reticências.
Todo poema é letra morta
Sem a culpa do suicídio.
Era aquele Deus anêmico
Tão disposto a não ver defeito exposto
Que alimentava em mim nenhuma fé?
Esqueça o que eu disse sobre o ontem
É hora de desmentir o futuro.
Descubro o grito antes do susto
Na boca seca pela sede
De água cor do afogado.
Somos o tumor do tempo.
Leleco.
quarta-feira, abril 25, 2012
O que sempre esqueci
De tudo que eu ainda não soube imaginar
Sou o outro além de mim mesmo.
Quase posso morrer agora que sou vivo
E nem parece verdade o que eu digo.
Talvez seja apenas essa certeza nenhuma
Do meu pecado pouco original
Esquecido na maldição da maçã
Enquanto todo mundo se explica demais.
É preciso confiar no confuso
Antes do último aperto do parafuso.
É preciso que eu não esqueça
Aquilo que sempre esqueci.
Leleco.
Sou o outro além de mim mesmo.
Quase posso morrer agora que sou vivo
E nem parece verdade o que eu digo.
Talvez seja apenas essa certeza nenhuma
Do meu pecado pouco original
Esquecido na maldição da maçã
Enquanto todo mundo se explica demais.
É preciso confiar no confuso
Antes do último aperto do parafuso.
É preciso que eu não esqueça
Aquilo que sempre esqueci.
Leleco.
terça-feira, abril 24, 2012
quinta-feira, abril 19, 2012
Onde os mortos se escondem
Eu estou aqui e não tenho nada com isso
Verbo Veloso de qualquer Caetano
Escorrendo da boca os seus enganos.
Tabaco tacanho em seus cafés cafetinas
Desejando o coito de Cristo
Em corpos capachos de Deus.
Narcótico amor neurótico
Aprisionado em sua dependência.
As árvores panfletam contra as raízes
Enquanto você culpa o demônio.
Ninguém chora a minha cachaça
Com limão e lágrima.
Onde os mortos se escondem no espelho
Resta apenas o silêncio fosco do que vejo.
Leleco.
Verbo Veloso de qualquer Caetano
Escorrendo da boca os seus enganos.
Tabaco tacanho em seus cafés cafetinas
Desejando o coito de Cristo
Em corpos capachos de Deus.
Narcótico amor neurótico
Aprisionado em sua dependência.
As árvores panfletam contra as raízes
Enquanto você culpa o demônio.
Ninguém chora a minha cachaça
Com limão e lágrima.
Onde os mortos se escondem no espelho
Resta apenas o silêncio fosco do que vejo.
Leleco.
sexta-feira, abril 13, 2012
Flor com abelha
Antes que eu me esqueça
Seu coração batia de medo
Daquele velho sonho empoeirado
Abandonado antes do começo do fim.
Havia um novo ontem
No pensamento que não pensa
Atravessando o tempo e a saudade
Da vida que não se vive mais.
O pesadelo de acordar livre
Fez o homem cuspir até o que não queria
E não há revolução maior a cada dia
Que o sorriso de sua filha.
Leleco. (Para Marceleza)
Seu coração batia de medo
Daquele velho sonho empoeirado
Abandonado antes do começo do fim.
Havia um novo ontem
No pensamento que não pensa
Atravessando o tempo e a saudade
Da vida que não se vive mais.
O pesadelo de acordar livre
Fez o homem cuspir até o que não queria
E não há revolução maior a cada dia
Que o sorriso de sua filha.
Leleco. (Para Marceleza)
quarta-feira, abril 04, 2012
terça-feira, abril 03, 2012
Outono
Todo amor é vago, vesgo, leve e mudo
Como a estranha sede de minhas chuvas.
É que descubro além das curvas
Essa vontade suicida de viver.
Eu sempre perco o que não preciso
Além desse pedaço de silêncio partido.
Nada é tão eterno quanto o próprio inferno
Diante do espelho que inveja o invertido.
A um passo de mim
O Deus de meu pecado é outro.
Amanhã será ontem
No outono daquilo que não fomos.
Leleco.
Como a estranha sede de minhas chuvas.
É que descubro além das curvas
Essa vontade suicida de viver.
Eu sempre perco o que não preciso
Além desse pedaço de silêncio partido.
Nada é tão eterno quanto o próprio inferno
Diante do espelho que inveja o invertido.
A um passo de mim
O Deus de meu pecado é outro.
Amanhã será ontem
No outono daquilo que não fomos.
Leleco.
quarta-feira, março 28, 2012
Ceviche
Ao redor da cabeça
A loucura proíbe o meu pensar.
Calor do céu de avião
Queimando na boca do fogão.
Quantas vezes preciso morrer agora
Até envelhecer novamente?
"É uma vida de se comer com os dentes"
Ela dizia fritando palavras no azeite.
Na mesa de jantar,
O silêncio cristão no prato de ceviche
Enquanto a pimenta ardia
O amor e o inferno de cada dia.
Leleco.
A loucura proíbe o meu pensar.
Calor do céu de avião
Queimando na boca do fogão.
Quantas vezes preciso morrer agora
Até envelhecer novamente?
"É uma vida de se comer com os dentes"
Ela dizia fritando palavras no azeite.
Na mesa de jantar,
O silêncio cristão no prato de ceviche
Enquanto a pimenta ardia
O amor e o inferno de cada dia.
Leleco.
quarta-feira, março 21, 2012
Hospício
Transpirei pirei transparências
Na noite de teu hospício.
Enxuguei relâmpagos indecisos
Enquanto a vida passa precipício.
Há dias em que adio tudo
De sono a qualquer mergulho.
Águia água cai em meus olhos
No samba-cósmico da geléia-canção.
Engasguei alguns sonhos
Anunciando a poesia devastada por fumaça
É ali que começo a morrer para a palavra.
Estou definitivamente esquecido.
Leleco.
Na noite de teu hospício.
Enxuguei relâmpagos indecisos
Enquanto a vida passa precipício.
Há dias em que adio tudo
De sono a qualquer mergulho.
Águia água cai em meus olhos
No samba-cósmico da geléia-canção.
Engasguei alguns sonhos
Anunciando a poesia devastada por fumaça
É ali que começo a morrer para a palavra.
Estou definitivamente esquecido.
Leleco.
quarta-feira, março 14, 2012
Aquilo que eu era sozinho
Quem nunca morreu não sabe
O fim daquilo que eu não era
Ou a mentira de que vivo.
Arrisquei quase nada
Como quem pisa no paralelepípedo
Fingindo ser abismo.
Escorreguei distraído
Em olhos que não reconheciam
Aquele corpo de coisa alguma
Envelhecido no pedaço de vidro.
O resto era o risco
De ser aquilo que eu era sozinho.
Leleco.
O fim daquilo que eu não era
Ou a mentira de que vivo.
Arrisquei quase nada
Como quem pisa no paralelepípedo
Fingindo ser abismo.
Escorreguei distraído
Em olhos que não reconheciam
Aquele corpo de coisa alguma
Envelhecido no pedaço de vidro.
O resto era o risco
De ser aquilo que eu era sozinho.
Leleco.
segunda-feira, março 12, 2012
De tudo que lhe dei para amar
Breve greve de seus grampos
Espelha o que se espalha
Contra tudo o que penso
Com ou sem nenhum acento.
Volta torta sobre rodas
Faz do amor um nó de corda
Sorrindo carinhos cariados
Como quem não precisa aceitar a saudade.
Poeira pia poesia
Enquanto pensava alto e não percebia
O despertador resistir ao tempo
E ainda não era dia.
Leleco.
Espelha o que se espalha
Contra tudo o que penso
Com ou sem nenhum acento.
Volta torta sobre rodas
Faz do amor um nó de corda
Sorrindo carinhos cariados
Como quem não precisa aceitar a saudade.
Poeira pia poesia
Enquanto pensava alto e não percebia
O despertador resistir ao tempo
E ainda não era dia.
Leleco.
terça-feira, março 06, 2012
Qualquer outro
É tudo questão de circo, circuito e coito
O medo que tenho das cores.
Chove chumbo Pernambuco
Pelé de todos os santos.
Eu morto de preguiça
Do novo soul americano.
Sal, céu e Cruzeiro do Sul
Baba profana de boi Zebu.
Tudo desde sempre
Sem nunca antes ter havido
A imagem refletida da própria vida
Amassada pela poesia aflita.
Esquecido em meu e em mim
Sou qualquer outro
Que nunca vejo.
Leleco.
O medo que tenho das cores.
Chove chumbo Pernambuco
Pelé de todos os santos.
Eu morto de preguiça
Do novo soul americano.
Sal, céu e Cruzeiro do Sul
Baba profana de boi Zebu.
Tudo desde sempre
Sem nunca antes ter havido
A imagem refletida da própria vida
Amassada pela poesia aflita.
Esquecido em meu e em mim
Sou qualquer outro
Que nunca vejo.
Leleco.
domingo, fevereiro 26, 2012
Doce sabor do acaso
Coma o que é concreto,
Vomite o que é céu
E esqueça o que foi seu.
Vamos revelar nenhum espírito
E rabiscar poemas de Shakespeare.
Onde estou que não encontro
O outro lado do que nunca fui?
Serei apenas esse corpo sem esquina
Com um jeito quase estranho de ruína.
O espelho é o retrato de uma ausência
Da cópia que é sempre mais bonita.
Respirei a sobra da gramática
No doce sabor do acaso.
E eu ainda não sabia
Quantos de mim cabiam num dia.
Leleco.
Vomite o que é céu
E esqueça o que foi seu.
Vamos revelar nenhum espírito
E rabiscar poemas de Shakespeare.
Onde estou que não encontro
O outro lado do que nunca fui?
Serei apenas esse corpo sem esquina
Com um jeito quase estranho de ruína.
O espelho é o retrato de uma ausência
Da cópia que é sempre mais bonita.
Respirei a sobra da gramática
No doce sabor do acaso.
E eu ainda não sabia
Quantos de mim cabiam num dia.
Leleco.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Habeas Corpus
Era apenas a alma enforcada
Naquele morrer diferente
Onde o que mata é aquilo que não se sente.
O sono suspira seus delírios
Nas fagulhas da loucura.
Saliva febril de fósforo
Aquecendo lábios pálidos.
O volume do grito
Arranhando esqueletos enrugados
E engolindo o tédio e a neblina
Das paixões engorduradas.
Não serei o subúrbio de nenhum amor!
Leleco.
Naquele morrer diferente
Onde o que mata é aquilo que não se sente.
O sono suspira seus delírios
Nas fagulhas da loucura.
Saliva febril de fósforo
Aquecendo lábios pálidos.
O volume do grito
Arranhando esqueletos enrugados
E engolindo o tédio e a neblina
Das paixões engorduradas.
Não serei o subúrbio de nenhum amor!
Leleco.
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Bruxaria
Agora que sou
Aquilo de ser o outro
Aprisionado em nenhum corpo
Algo me lembra de existir.
Um desejo bruxo da mistura
De amor faminto e abandono
Em verso vinho de um gosto vazio.
No fundo de todos os delírios
Invento a dúvida que me salva em dívida
E o sono que me agita
Assim que amanhece o dia.
Quem disse que não é feitiçaria?
Leleco.
Aquilo de ser o outro
Aprisionado em nenhum corpo
Algo me lembra de existir.
Um desejo bruxo da mistura
De amor faminto e abandono
Em verso vinho de um gosto vazio.
No fundo de todos os delírios
Invento a dúvida que me salva em dívida
E o sono que me agita
Assim que amanhece o dia.
Quem disse que não é feitiçaria?
Leleco.
sábado, fevereiro 11, 2012
Na casa de tijolo vermelho
A sede quase mata
Em águas que são vivas
E a ilusão do que há
Longe dela.
Esqueci de esquecer
Seu amor cor de jasmim
Disfarçando aquilo que se vive
Em pequenos goles de amanhã.
O vento sopra a saia
Enquanto afundo entre pernas.
Onde você foi desejo
À espera da meia-noite?
Eram minhas palavras de vídeo cassete
A desafiar outras respostas?
Na casa de tijolo vermelho
Despencavam exclamações de travesseiro.
Leleco. (Para Mariana)
Em águas que são vivas
E a ilusão do que há
Longe dela.
Esqueci de esquecer
Seu amor cor de jasmim
Disfarçando aquilo que se vive
Em pequenos goles de amanhã.
O vento sopra a saia
Enquanto afundo entre pernas.
Onde você foi desejo
À espera da meia-noite?
Eram minhas palavras de vídeo cassete
A desafiar outras respostas?
Na casa de tijolo vermelho
Despencavam exclamações de travesseiro.
Leleco. (Para Mariana)
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Binóculo
O amor não passa de violentas violetas
Em carnes perfumadas.
Noite pesada, nuvem com alma de chumbo
Acendendo chuvas quando dobram em mim.
Mona Lisa mal-assombrada
Florindo fumaça
Em retratos de botequim.
Entre os dedos
Disfarço um binóculo
E enxergo além do unicórnio
A constelação que guardei pra ti.
Volto a evaporar solidão
Em vazios que o vento sopra
Queimados de som
Muito além do seu jardim.
Leleco.
Em carnes perfumadas.
Noite pesada, nuvem com alma de chumbo
Acendendo chuvas quando dobram em mim.
Mona Lisa mal-assombrada
Florindo fumaça
Em retratos de botequim.
Entre os dedos
Disfarço um binóculo
E enxergo além do unicórnio
A constelação que guardei pra ti.
Volto a evaporar solidão
Em vazios que o vento sopra
Queimados de som
Muito além do seu jardim.
Leleco.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Nada mais que nós mesmos
Apertei a alma entre os dedos
E costurei um céu com o pedaço
Que alguém roubou do Paraíso.
Por que Deus não veio
Antes de dinamitar seu desprezo?
Voltou o cheiro túmulo
Do amém tímido dos mortos
Em provérbios do inferno.
Nada mais que nós mesmos
Diante do olhar do espelho.
Apaguei a vela que era viva
E adiei o silêncio enganando palavras.
Antes do tempo triturar eternidades,
É preciso desafiar a própria vaidade!
Leleco.
E costurei um céu com o pedaço
Que alguém roubou do Paraíso.
Por que Deus não veio
Antes de dinamitar seu desprezo?
Voltou o cheiro túmulo
Do amém tímido dos mortos
Em provérbios do inferno.
Nada mais que nós mesmos
Diante do olhar do espelho.
Apaguei a vela que era viva
E adiei o silêncio enganando palavras.
Antes do tempo triturar eternidades,
É preciso desafiar a própria vaidade!
Leleco.
sexta-feira, janeiro 27, 2012
Carnival
Agora eu só queria desfilar
Esquecido na semi-vírgula da serpentina.
Na fome dos mortos,
Ser mais um canibal de carnaval.
Carne-seca do meu tamborim
No pecado de mim mesmo.
Aquela alegria quase tímida
Exposta na Avenida Central.
Pouco a pouco
Eu era quase o resto
Da fantasia que já não existia.
Vagando meus vagalumes
Em venenos 220 volts.
O amor em vão
No chão entre confetes.
Sua alma sumiu na esquina
Antes de nascer o dia.
Leleco.
Esquecido na semi-vírgula da serpentina.
Na fome dos mortos,
Ser mais um canibal de carnaval.
Carne-seca do meu tamborim
No pecado de mim mesmo.
Aquela alegria quase tímida
Exposta na Avenida Central.
Pouco a pouco
Eu era quase o resto
Da fantasia que já não existia.
Vagando meus vagalumes
Em venenos 220 volts.
O amor em vão
No chão entre confetes.
Sua alma sumiu na esquina
Antes de nascer o dia.
Leleco.
terça-feira, janeiro 24, 2012
Retrovisores
Os espelhos, são muitos.
São outros.
São raros.
E o quanto cabe de meu rosto?
O ontem amanhece com algum esforço
E qual é o agora que preciso?
Esqueço que sou um retrovisor apenas vivo
Aprisionado no corpo que me assusta.
Molhei palavras da boca
Em restos de nenhum incêndio.
E o seu olhar de lacunas
Nunca carbonizou o meu pretérito perfeito.
Leleco.
São outros.
São raros.
E o quanto cabe de meu rosto?
O ontem amanhece com algum esforço
E qual é o agora que preciso?
Esqueço que sou um retrovisor apenas vivo
Aprisionado no corpo que me assusta.
Molhei palavras da boca
Em restos de nenhum incêndio.
E o seu olhar de lacunas
Nunca carbonizou o meu pretérito perfeito.
Leleco.
terça-feira, janeiro 17, 2012
Ilusão de Ótica
O pecado é o que me torna santo
E sou o mesmo de sempre quando sou outro.
Pensei o que já havia pensado
Sobre o que sempre escondi nos retratos.
O que queria aquilo que nunca fui?
Talvez ainda acordem palavras de vidro
Esquecidas na cegueira além dos olhos.
Por enquanto, estou inventando qualquer miragem clandestina
Para refletir minhas interrogações.
Não se via no fundo o foco
Quando cada um era único.
Somos o espelho rachado
De um Deus pálido.
Leleco.
E sou o mesmo de sempre quando sou outro.
Pensei o que já havia pensado
Sobre o que sempre escondi nos retratos.
O que queria aquilo que nunca fui?
Talvez ainda acordem palavras de vidro
Esquecidas na cegueira além dos olhos.
Por enquanto, estou inventando qualquer miragem clandestina
Para refletir minhas interrogações.
Não se via no fundo o foco
Quando cada um era único.
Somos o espelho rachado
De um Deus pálido.
Leleco.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Vidraças
O amor armou aos tropeços
Essa saudade amarrotada.
A imaginação ainda é mais pesada que o ar
Quando penso em quase nada.
Todo passado é o reflexo de mil vidraças mofadas
E sem saber, eu já sabia
Que só a realidade pode ser delicada.
Entre um andar e outro,
O espelho rouba e não devolve
Tudo que envelheceu pelo caminho.
Eu era ao longe
O primeiro fim do meu próprio começo.
Outro silêncio grisalho
No rosto que invento.
Leleco.
Essa saudade amarrotada.
A imaginação ainda é mais pesada que o ar
Quando penso em quase nada.
Todo passado é o reflexo de mil vidraças mofadas
E sem saber, eu já sabia
Que só a realidade pode ser delicada.
Entre um andar e outro,
O espelho rouba e não devolve
Tudo que envelheceu pelo caminho.
Eu era ao longe
O primeiro fim do meu próprio começo.
Outro silêncio grisalho
No rosto que invento.
Leleco.
sábado, janeiro 07, 2012
Aliança
Tentei explicar a vírgula de sobrancelhas franzidas
Antes de suspirar o último olhar
Com a malícia de um amante.
Como o amor era antes,
Eu não sei ou nunca soube
Até descobrir a falta do que aconteceu
A um passo de mim.
Era quase ano novo no retrato dos noivos
E o amanhã devia ser o próprio hoje.
De repente, não havia espaço
Para mais ninguém ao nosso lado.
Leleco.
Antes de suspirar o último olhar
Com a malícia de um amante.
Como o amor era antes,
Eu não sei ou nunca soube
Até descobrir a falta do que aconteceu
A um passo de mim.
Era quase ano novo no retrato dos noivos
E o amanhã devia ser o próprio hoje.
De repente, não havia espaço
Para mais ninguém ao nosso lado.
Leleco.
sexta-feira, janeiro 06, 2012
Epilepsia
Enquanto não digo nada, o silêncio flutua inquieto
E ela insiste em canções epiléticas.
Qual é a outra versão da próxima verdade?
É melhor engolir o mundo e mudar de assunto.
O novo é quase indeciso e sem contorno
A cada dia que o antigo se alonga.
Ouço a queda e mordo
O adeus morno de nenhum outro.
O inferno é um paraíso
Quando quero morrer sem encontrar ninguém.
Aprisionado pela poesia
De um todo para tantos esquecidos.
Leleco.
E ela insiste em canções epiléticas.
Qual é a outra versão da próxima verdade?
É melhor engolir o mundo e mudar de assunto.
O novo é quase indeciso e sem contorno
A cada dia que o antigo se alonga.
Ouço a queda e mordo
O adeus morno de nenhum outro.
O inferno é um paraíso
Quando quero morrer sem encontrar ninguém.
Aprisionado pela poesia
De um todo para tantos esquecidos.
Leleco.
quinta-feira, dezembro 29, 2011
O adeus sem dono
De algum modo o relógio tinha razão
Quando acordei horas depois.
O tempo que é perdido
Estava a um passo de mim.
Eu pertencia a alguma coisa que não conhecia
Ainda que fosse menos vivo.
Quase pude fingir ser outro
Na primeira saudade de mim.
A verdade cresce em nenhum quintal
Enquanto planto sombras sobre o seu silêncio.
No fundo de todos os delírios,
O adeus morre longe de mim.
Leleco.
Quando acordei horas depois.
O tempo que é perdido
Estava a um passo de mim.
Eu pertencia a alguma coisa que não conhecia
Ainda que fosse menos vivo.
Quase pude fingir ser outro
Na primeira saudade de mim.
A verdade cresce em nenhum quintal
Enquanto planto sombras sobre o seu silêncio.
No fundo de todos os delírios,
O adeus morre longe de mim.
Leleco.
Semi-sono
Era quase um semi-sono
A lembrança do último amor
Naqueles olhos pintados com melancolia
E no cheiro de flor esmagada.
Fingiu um desejo sonâmbulo,
Beijou com medo de ter esperança
E molhou o arrependimento com tequila.
Aquela ou aquilo
Parecia não haver saída.
Ainda bêbada confessou para a amiga:
"Aquele filho da puta fodeu com a minha vida!"
Leleco.
A lembrança do último amor
Naqueles olhos pintados com melancolia
E no cheiro de flor esmagada.
Fingiu um desejo sonâmbulo,
Beijou com medo de ter esperança
E molhou o arrependimento com tequila.
Aquela ou aquilo
Parecia não haver saída.
Ainda bêbada confessou para a amiga:
"Aquele filho da puta fodeu com a minha vida!"
Leleco.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
Ritornelo
A vida toda esqueci
Tudo o que sempre me fez lembrar:
O fim é a porta de outro começo.
Permaneci em silêncio por algum tempo
E não soube dizer o que eu era.
A dúvida carregava o meu inferno
Com um colorido quase cego.
Fazia de conta
Que cada amor era um faz de conta.
Por dentro a melancolia molhava
E não havia ninguém por perto.
Eu só existo onde me perco.
Leleco.
Tudo o que sempre me fez lembrar:
O fim é a porta de outro começo.
Permaneci em silêncio por algum tempo
E não soube dizer o que eu era.
A dúvida carregava o meu inferno
Com um colorido quase cego.
Fazia de conta
Que cada amor era um faz de conta.
Por dentro a melancolia molhava
E não havia ninguém por perto.
Eu só existo onde me perco.
Leleco.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Apocalipse
Eu sabia antes mesmo de pensar
Que a vida é outra coisa
E não esse suor de chuva que não molha.
É o anti-pecado concepcional
Do amor que sofre por amor,
É a solidão abafada no travesseiro
E o câncer espalhado em algum cinzeiro.
É a possível queda num quarto de silêncio,
A falha necessária que não faz falta,
É perder o que não se precisa
E esquecer até aprender a existir.
Morrer dói menos que o parto.
Leleco.
Que a vida é outra coisa
E não esse suor de chuva que não molha.
É o anti-pecado concepcional
Do amor que sofre por amor,
É a solidão abafada no travesseiro
E o câncer espalhado em algum cinzeiro.
É a possível queda num quarto de silêncio,
A falha necessária que não faz falta,
É perder o que não se precisa
E esquecer até aprender a existir.
Morrer dói menos que o parto.
Leleco.
quinta-feira, dezembro 22, 2011
Ausência
Na primeira ausência de mim,
Nenhuma verdade me fazia sentido.
É como um querer quase perdido
Nos retratos que escondem abismos.
Na segunda vez,
A promessa não me bastava.
Comecei a fotografar a falta
E tudo aquilo sem me dizer nada.
Na última ausência,
Já começava a ver o fim, e não sabia.
Por não ser, eu era
A cópia malfeita de meus pais.
Leleco.
Nenhuma verdade me fazia sentido.
É como um querer quase perdido
Nos retratos que escondem abismos.
Na segunda vez,
A promessa não me bastava.
Comecei a fotografar a falta
E tudo aquilo sem me dizer nada.
Na última ausência,
Já começava a ver o fim, e não sabia.
Por não ser, eu era
A cópia malfeita de meus pais.
Leleco.
segunda-feira, dezembro 19, 2011
Espantalho
Eu continuo inventando qualquer presença
Para encontrar alguma solidão.
Voltei a ter o que eu nunca tive:
Essa coragem de ser covarde.
Espalho espantalhos de espelhos
Onde em mim os outros não enxergam.
Ontem de manhã havia o retrato de uma ausência
Como se não fosse eu a própria revelação.
Aquilo que se vive
Até o fim do que eu não era
É o que morre sem saber de quê.
Poderia a saudade mentir por mim?
Leleco.
Para encontrar alguma solidão.
Voltei a ter o que eu nunca tive:
Essa coragem de ser covarde.
Espalho espantalhos de espelhos
Onde em mim os outros não enxergam.
Ontem de manhã havia o retrato de uma ausência
Como se não fosse eu a própria revelação.
Aquilo que se vive
Até o fim do que eu não era
É o que morre sem saber de quê.
Poderia a saudade mentir por mim?
Leleco.
quarta-feira, dezembro 14, 2011
Pausa
Aquilo que girou em silêncio,
Fez conjugar um velho verbo transparente.
E o que somos nós
Além do adeus de cada verso?
Sinto partir como quem não chegou
Na solidão que se fez e ninguém reparou.
Saudades de qualquer ontem
À procura de quem o sonhou.
Antes do fim,
A poesia despedida.
E nunca se esqueça
Que é a pausa que nos faz dançar.
Leleco.
Fez conjugar um velho verbo transparente.
E o que somos nós
Além do adeus de cada verso?
Sinto partir como quem não chegou
Na solidão que se fez e ninguém reparou.
Saudades de qualquer ontem
À procura de quem o sonhou.
Antes do fim,
A poesia despedida.
E nunca se esqueça
Que é a pausa que nos faz dançar.
Leleco.
sábado, dezembro 03, 2011
Vítima
Escuridão e pó
O sono do sonâmbulo
Seis soldados de chumbo
Disputando o amor da mesma bailarina.
Não serei mais uma vítima da poesia!
Leleco.
O sono do sonâmbulo
Seis soldados de chumbo
Disputando o amor da mesma bailarina.
Não serei mais uma vítima da poesia!
Leleco.
quarta-feira, novembro 30, 2011
Catapora
Tudo parecia alguma coisa
E nada fazia sentido.
Inferno invertido
No irreversível domínio da contradição.
Substantivo, adjetivo e pronome indefinido
De nenhum sujeito
Esquecido intacto
No outro lado do seu abraço.
Toda despedida chega ao encontro
Do delírio catapora do louco.
Pintando em teus sentidos
Qualquer saudade vermelha.
Olhares do não dito
Entre as palavras mortas na garganta.
E o que antes parecia mudo,
Agora é amor afogado em mercúrio.
Leleco.
E nada fazia sentido.
Inferno invertido
No irreversível domínio da contradição.
Substantivo, adjetivo e pronome indefinido
De nenhum sujeito
Esquecido intacto
No outro lado do seu abraço.
Toda despedida chega ao encontro
Do delírio catapora do louco.
Pintando em teus sentidos
Qualquer saudade vermelha.
Olhares do não dito
Entre as palavras mortas na garganta.
E o que antes parecia mudo,
Agora é amor afogado em mercúrio.
Leleco.
segunda-feira, novembro 28, 2011
Ferida
Antes que alguém saiba que você está morto
Atire dez dúvidas no colo da viúva
E sorria com fúria na porta da funerária.
Antes que ninguém saiba que você está morto
Devolva seus farrapos de nuvens
E me fale do último sono.
O tempo vomita os ponteiros na vida
E no nome que se apaga.
Cada Deus possui o seu Demônio
Quando lambe a própria ferida.
Leleco.
Atire dez dúvidas no colo da viúva
E sorria com fúria na porta da funerária.
Antes que ninguém saiba que você está morto
Devolva seus farrapos de nuvens
E me fale do último sono.
O tempo vomita os ponteiros na vida
E no nome que se apaga.
Cada Deus possui o seu Demônio
Quando lambe a própria ferida.
Leleco.
terça-feira, novembro 22, 2011
Porta-estandarte
Deixa eu confessar o medo
Do que vem tarde ou do que vem cedo.
Deixa a minha foto pela metade
Que eu finjo que nunca houve inteiro.
Deixa o amor pensar que não preciso
Essa ausência embaixo do tapete nunca foi abrigo.
Deixa eu inventar aquilo que não minto
Só pra acreditar que consigo.
Deixa a saudade pronta
Na poesia esquecida em suas costas.
Deixa o amanhã amanhecer agora
E pode abrir todas as portas.
Leleco.
Do que vem tarde ou do que vem cedo.
Deixa a minha foto pela metade
Que eu finjo que nunca houve inteiro.
Deixa o amor pensar que não preciso
Essa ausência embaixo do tapete nunca foi abrigo.
Deixa eu inventar aquilo que não minto
Só pra acreditar que consigo.
Deixa a saudade pronta
Na poesia esquecida em suas costas.
Deixa o amanhã amanhecer agora
E pode abrir todas as portas.
Leleco.
segunda-feira, novembro 21, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
Quizumba
São Paulo, oitavo andar.
Quatro, cinco, seis da madrugada.
Eu quero tocar você em lá maior.
Cheiro da falta em mim.
Eu não quero ir.
Aperto o peito enquanto espero.
Eu deveria ter guardado o seu sorriso dentro da garrafa.
Eu conservo o bigode.
Bigodes são antenas.
Parabólica saudade.
Acaso.
Eu caso.
Na Rua Augusta ou em Marte.
Outra dose de conhaque.
Trópico de Capricórnio.
Poesia de manicômio.
Sinuca.
Mordo a nuca.
"Não posso ser sua!"
O que é ser de alguém?
O amanhã é distante.
Qual é a senha?
O amor brincando de Jenga.
Pouco é quase muito.
Bar Puma ou guarda-chuva?
Adeus nunca esteve na moda.
Vai, mas volta...
Leleco.
Quatro, cinco, seis da madrugada.
Eu quero tocar você em lá maior.
Cheiro da falta em mim.
Eu não quero ir.
Aperto o peito enquanto espero.
Eu deveria ter guardado o seu sorriso dentro da garrafa.
Eu conservo o bigode.
Bigodes são antenas.
Parabólica saudade.
Acaso.
Eu caso.
Na Rua Augusta ou em Marte.
Outra dose de conhaque.
Trópico de Capricórnio.
Poesia de manicômio.
Sinuca.
Mordo a nuca.
"Não posso ser sua!"
O que é ser de alguém?
O amanhã é distante.
Qual é a senha?
O amor brincando de Jenga.
Pouco é quase muito.
Bar Puma ou guarda-chuva?
Adeus nunca esteve na moda.
Vai, mas volta...
Leleco.
quarta-feira, novembro 09, 2011
Outras dúvidas
É tudo questão de cegueira?
É tudo questão de néon?
O espelho imitando quem eu não sou
Ou o sapato pisando ao contrário?
O que as coisas querem dizer
Na boca que soma ausência?
Amores de outros amores estranhos para mim
Ou aquele que jamais conheci?
Será o último dia do mundo
Na eternidade enrugada,
No lamento de tantas luas
Ou no suor da minha pele na sua?
Na dúvida ou antes que alguém esqueça
Adoro o seu beijo frio de cerveja.
Leleco.
É tudo questão de néon?
O espelho imitando quem eu não sou
Ou o sapato pisando ao contrário?
O que as coisas querem dizer
Na boca que soma ausência?
Amores de outros amores estranhos para mim
Ou aquele que jamais conheci?
Será o último dia do mundo
Na eternidade enrugada,
No lamento de tantas luas
Ou no suor da minha pele na sua?
Na dúvida ou antes que alguém esqueça
Adoro o seu beijo frio de cerveja.
Leleco.
segunda-feira, outubro 31, 2011
Os sete passos da sombra
O mesmo demônio que queima ao contrário
Convida para as três mortes pagãs do sol.
Encontro o seu Deus na antiga palavra ateu
E em pequenas doses instáveis de perdão.
Línguas de fogo anunciam
O mais novo poeta de gaveta.
Atirando verdades viúvas
Em esquecimentos vazios.
É a escuridão percebendo o dia
Nesse grito surdo de rebeldia.
O futuro derretido no relógio
Enquanto os céus me condenam.
Afundo pensamentos e medos
Em travesseiros de insônia.
Ouçam os sete passos
Da sombra que me chama pelo nome.
Leleco.
Convida para as três mortes pagãs do sol.
Encontro o seu Deus na antiga palavra ateu
E em pequenas doses instáveis de perdão.
Línguas de fogo anunciam
O mais novo poeta de gaveta.
Atirando verdades viúvas
Em esquecimentos vazios.
É a escuridão percebendo o dia
Nesse grito surdo de rebeldia.
O futuro derretido no relógio
Enquanto os céus me condenam.
Afundo pensamentos e medos
Em travesseiros de insônia.
Ouçam os sete passos
Da sombra que me chama pelo nome.
Leleco.
quarta-feira, outubro 26, 2011
sexta-feira, outubro 21, 2011
O céu e não o seu
Naquele instante você sorriu
Cinza cor da guimba
E não reparou no verbo venenoso
Que usei pra te conjugar.
Fez o egoísmo morrer de inveja
Daquela velha idéia banguela
De atravessar o tempo
Fingindo qualquer inocência.
Acendeu sete ventos e guardou a chuva
Tentou cortar com os dentes
Aquilo que se despede na chegada
Como a vida gasta na vidraça.
Inventou outro mundo
E ainda procura por ele.
Na saudade além dos dedos
Sou o céu e não o seu
Soluço mais forte que a morte.
Leleco.
Cinza cor da guimba
E não reparou no verbo venenoso
Que usei pra te conjugar.
Fez o egoísmo morrer de inveja
Daquela velha idéia banguela
De atravessar o tempo
Fingindo qualquer inocência.
Acendeu sete ventos e guardou a chuva
Tentou cortar com os dentes
Aquilo que se despede na chegada
Como a vida gasta na vidraça.
Inventou outro mundo
E ainda procura por ele.
Na saudade além dos dedos
Sou o céu e não o seu
Soluço mais forte que a morte.
Leleco.
terça-feira, outubro 18, 2011
Setenta Minutos no Inferno
O sol que ilumina agora é frio e cor de chumbo
Setenta minutos no inferno
E um resto de pecado num canto da boca.
Rasguei cada salmo
De um livro que nunca li
E interrogo cada sonho murcho
Do cheiro de minha infância.
O tempo reverso de meus reflexos
Espelhados na memória que se perde.
Ausência que já não sinto
Na saudade de minha vida.
Leleco.
Setenta minutos no inferno
E um resto de pecado num canto da boca.
Rasguei cada salmo
De um livro que nunca li
E interrogo cada sonho murcho
Do cheiro de minha infância.
O tempo reverso de meus reflexos
Espelhados na memória que se perde.
Ausência que já não sinto
Na saudade de minha vida.
Leleco.
sexta-feira, outubro 14, 2011
Abismo de Espelhos
É a tua própria laranja mecânica
Essa camisa-de-força 10mg
Que você engole com vodka
Na necessidade de se esquecer.
O que sabes sobre as traças do meu tempo?
Plantei vômitos em minúsculos banheiros
Desafiando a sósia de minha sombra.
Provavelmente, seria o bastante
Pra demonstrar quem fui.
Agora restou esse dó sustenido
Na coluna febril do meu corpo.
Essa boca seca
Do podre sal de nenhuma saliva
E o seu glaucoma que não enxerga o meu estado de coma.
A poesia não deu em nada!
Carne exposta mal passada, mão na coxa
Sua boca testando meus testículos
Suave orgasmo rouco e nada mais importa
Nem mesmo o desprezo ou piedade.
A poesia não satisfaz!
Coração alheio à incubadora
Aprendiz de solidão
Perca-se nesse abismo de espelhos
Até o escasso branco dos seus cabelos.
A poesia arde o silêncio de sermos reais.
Leleco.
Essa camisa-de-força 10mg
Que você engole com vodka
Na necessidade de se esquecer.
O que sabes sobre as traças do meu tempo?
Plantei vômitos em minúsculos banheiros
Desafiando a sósia de minha sombra.
Provavelmente, seria o bastante
Pra demonstrar quem fui.
Agora restou esse dó sustenido
Na coluna febril do meu corpo.
Essa boca seca
Do podre sal de nenhuma saliva
E o seu glaucoma que não enxerga o meu estado de coma.
A poesia não deu em nada!
Carne exposta mal passada, mão na coxa
Sua boca testando meus testículos
Suave orgasmo rouco e nada mais importa
Nem mesmo o desprezo ou piedade.
A poesia não satisfaz!
Coração alheio à incubadora
Aprendiz de solidão
Perca-se nesse abismo de espelhos
Até o escasso branco dos seus cabelos.
A poesia arde o silêncio de sermos reais.
Leleco.
segunda-feira, outubro 10, 2011
Vertebrado
Espinha em espiral
Coluna cervical
Vertebrada fraqueza humana
Enquanto se desgastam os anos.
A verdade vertical contida
Na mentira divina.
Preservando qualquer excesso
De um Deus pelo qual não espero.
Oculto algum sujeito inválido
E equilíbro rimas em suas retinas.
É a vida que se apaga
Depois dos trinta ou antes da despedida.
Fim do primeiro ato.
Leleco.
Coluna cervical
Vertebrada fraqueza humana
Enquanto se desgastam os anos.
A verdade vertical contida
Na mentira divina.
Preservando qualquer excesso
De um Deus pelo qual não espero.
Oculto algum sujeito inválido
E equilíbro rimas em suas retinas.
É a vida que se apaga
Depois dos trinta ou antes da despedida.
Fim do primeiro ato.
Leleco.
quarta-feira, outubro 05, 2011
Calibre 38
De tanto caminhar sobre céus
Comecei a remendar tempestades.
O seu sorriso-calibre 38
Não assalta mais a minha saudade.
Diante do seu amor estrangeiro
Quem sou eu sem ser eu?
As migalhas do esquecimento
Alimentando dúvidas de outras eternidades.
Tímido túmulo do silêncio
No abismo morto de seus beijos.
Minha lágrima é gargalhada no espelho
Onde nunca mais seremos os mesmos.
Leleco.
Comecei a remendar tempestades.
O seu sorriso-calibre 38
Não assalta mais a minha saudade.
Diante do seu amor estrangeiro
Quem sou eu sem ser eu?
As migalhas do esquecimento
Alimentando dúvidas de outras eternidades.
Tímido túmulo do silêncio
No abismo morto de seus beijos.
Minha lágrima é gargalhada no espelho
Onde nunca mais seremos os mesmos.
Leleco.
quarta-feira, setembro 28, 2011
Um pouco de quase tudo
Um pouco de quase tudo
É o nunca que se inventa.
Fina mentira vazia
Alimentando o inferno particular dos seus dias.
Descubro hoje o amor que ignorava ontem
Ainda e sempre sutil.
As correntes daquela saudade fantasma
Já não me arrastam mais.
Sinfonia branca do adeus
Na morte dos minutos que colecionei.
Em algum lugar do jardim ou do espaço
Uma flor, uma estrela
Ainda esperam pelo meu abraço.
Leleco.
É o nunca que se inventa.
Fina mentira vazia
Alimentando o inferno particular dos seus dias.
Descubro hoje o amor que ignorava ontem
Ainda e sempre sutil.
As correntes daquela saudade fantasma
Já não me arrastam mais.
Sinfonia branca do adeus
Na morte dos minutos que colecionei.
Em algum lugar do jardim ou do espaço
Uma flor, uma estrela
Ainda esperam pelo meu abraço.
Leleco.
terça-feira, setembro 20, 2011
Supermercado
A saudade é um rinoceronte bebendo refrigerante
O amor é um cílio grudado no rímel
Sorriso rabiscado no rosto
Toda vez que eu te encontro.
Espirro o medo e arrisco
Entre serpentes marinhas e tormentas
Do mar que é o seu beijo.
A felicidade é uma promoção relâmpago
No supermercado da vida.
Agora vem, volta e não vai embora
Compra passagem só de ida
Diz que fica até o fim dos dias
E me faz sonhar margaridas.
Leleco.
O amor é um cílio grudado no rímel
Sorriso rabiscado no rosto
Toda vez que eu te encontro.
Espirro o medo e arrisco
Entre serpentes marinhas e tormentas
Do mar que é o seu beijo.
A felicidade é uma promoção relâmpago
No supermercado da vida.
Agora vem, volta e não vai embora
Compra passagem só de ida
Diz que fica até o fim dos dias
E me faz sonhar margaridas.
Leleco.
terça-feira, setembro 13, 2011
Poeta ao molho passado
Ingredientes Necessários:
- 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz
- Alguns pontos de interrogação
- 4,5 Kg de Brahms
- 300g de sotaque de Drummond
- 50 ml de lágrima de sereia
- 1 amor Shakespeareano
- 1/2 Kubrick crocante
- Pitadas de Art Nouveau
- 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies
- 100g de Roy Lichtenstein
- 1 caneca de Lewis Carroll
- 1/2 livro inacabado de Hemingway
- 3 frases cruas de Oscar Wilde.
Modo de Preparo:
1- Em uma frigideira, aqueça 50 ml de lágrima de sereia e acrescente alguns pontos de interrogação, deixando-os fritar por uns 3 ou 4 minutos. Tempere a gosto e separe.
2- Em uma panela com profundidade, aqueça 1 amor Shakespeareano, acrescente 4,5 Kg de Brahms, 1 caneca de Lewis Carroll, 1/2 Kubrick crocante e 100g de Roy Lichtentein. Deixe cozinhar durante uns 2 ou 3 minutos em fogo médio.
3- Quando o amor Shakespeareano estiver na consistência ideal, acrescente 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz, pitadas de Art Nouveau e 300g do sotaque de Drummond. Misture-os com os ingredientes da frigideira de forma cuidadosa.
4- Pouvilhe 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies, 1/2 livro inacabado de Hemingway e estará pronto para servir.
Obs.: O prato poderá acompanhar 3 frases cruas de Oscar Wilde.
Leleco.
- 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz
- Alguns pontos de interrogação
- 4,5 Kg de Brahms
- 300g de sotaque de Drummond
- 50 ml de lágrima de sereia
- 1 amor Shakespeareano
- 1/2 Kubrick crocante
- Pitadas de Art Nouveau
- 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies
- 100g de Roy Lichtenstein
- 1 caneca de Lewis Carroll
- 1/2 livro inacabado de Hemingway
- 3 frases cruas de Oscar Wilde.
Modo de Preparo:
1- Em uma frigideira, aqueça 50 ml de lágrima de sereia e acrescente alguns pontos de interrogação, deixando-os fritar por uns 3 ou 4 minutos. Tempere a gosto e separe.
2- Em uma panela com profundidade, aqueça 1 amor Shakespeareano, acrescente 4,5 Kg de Brahms, 1 caneca de Lewis Carroll, 1/2 Kubrick crocante e 100g de Roy Lichtentein. Deixe cozinhar durante uns 2 ou 3 minutos em fogo médio.
3- Quando o amor Shakespeareano estiver na consistência ideal, acrescente 1 Leminski salpicado de Alice Ruiz, pitadas de Art Nouveau e 300g do sotaque de Drummond. Misture-os com os ingredientes da frigideira de forma cuidadosa.
4- Pouvilhe 1 ou 2 canções preferidas de Miles Davies, 1/2 livro inacabado de Hemingway e estará pronto para servir.
Obs.: O prato poderá acompanhar 3 frases cruas de Oscar Wilde.
Leleco.
sexta-feira, setembro 09, 2011
Triste é não ser
É a força do delírio, do orgasmo feminino
Triste é não ser
Louco ou mulher.
Eu gosto de complicar o complicado,
De experimentar o inesperado
Afogado no pecado
Cada qual com o seu Deus ou com o seu Diabo.
É hora de proibir o proibido,
De falar até ficar calado
Ser mais um fodido
Em busca de trocado.
Leleco.
Triste é não ser
Louco ou mulher.
Eu gosto de complicar o complicado,
De experimentar o inesperado
Afogado no pecado
Cada qual com o seu Deus ou com o seu Diabo.
É hora de proibir o proibido,
De falar até ficar calado
Ser mais um fodido
Em busca de trocado.
Leleco.
terça-feira, agosto 30, 2011
Restos
Proibido amor de infinito
Rezando de mãos juntas o pecado.
Um silêncio enxuga as lágrimas de nosss falhas
E esse vazio soprando liberdade.
Cheiro do fim ou gosto de tarde
Essa falta que não arde?
Aquilo que ainda sonho quando acordo
É palavra esquecida em algum canto.
Nas longas noites de adeus
Sempre somos outros:
A ironia no rosto
E o egoísmo nos bolsos.
Leleco.
Rezando de mãos juntas o pecado.
Um silêncio enxuga as lágrimas de nosss falhas
E esse vazio soprando liberdade.
Cheiro do fim ou gosto de tarde
Essa falta que não arde?
Aquilo que ainda sonho quando acordo
É palavra esquecida em algum canto.
Nas longas noites de adeus
Sempre somos outros:
A ironia no rosto
E o egoísmo nos bolsos.
Leleco.
quinta-feira, agosto 18, 2011
Desordem
Eu quero uma certa desordem
Nas constelações que fomos pelo chão
E nos minutos ruivos de ferrugem
Que morremos em qualquer inferno.
Descubro meus dedos
Em mãos diferentes.
Daquilo que sou
Sem jamais existir.
Ainda planto despedidas
Em jardins dos encontros.
Bocas gastas de palavras
Além da memória que se perde.
Leleco.
Nas constelações que fomos pelo chão
E nos minutos ruivos de ferrugem
Que morremos em qualquer inferno.
Descubro meus dedos
Em mãos diferentes.
Daquilo que sou
Sem jamais existir.
Ainda planto despedidas
Em jardins dos encontros.
Bocas gastas de palavras
Além da memória que se perde.
Leleco.
quinta-feira, agosto 11, 2011
Cemitério
Grave em minhas mentiras
Greve em meus amores
A ausência entrego ao outro
E me queimo no próprio fogo.
Devoro a febre e cuspo demônios
Uma vida que perco
Nos grãos de cada sonho.
No centro do universo
Ainda carrego cemitérios
De futuros que se apagam
Em poucas palavras.
Um dia ninguém nos lembrará.
Leleco.
Greve em meus amores
A ausência entrego ao outro
E me queimo no próprio fogo.
Devoro a febre e cuspo demônios
Uma vida que perco
Nos grãos de cada sonho.
No centro do universo
Ainda carrego cemitérios
De futuros que se apagam
Em poucas palavras.
Um dia ninguém nos lembrará.
Leleco.
quarta-feira, agosto 03, 2011
Quase Deus
Do céu escorre o azul
Enquanto enxugo a noite.
Acendo um fósforo e ilumino o Arpoador
Não há sol mais quente do que eu.
Debaixo da cama,
Escondo estrelas, sapatos e cometas.
Apago a lâmpada
E invento a escuridão, apocalipse e trombetas.
Sobre os mortos do seu tempo
Sou os fios brancos de meus cabelos.
E não há nada que substitua
O sol ou talvez a lua.
Naquele dia, quase pensei seus pensamentos.
Leleco.
Enquanto enxugo a noite.
Acendo um fósforo e ilumino o Arpoador
Não há sol mais quente do que eu.
Debaixo da cama,
Escondo estrelas, sapatos e cometas.
Apago a lâmpada
E invento a escuridão, apocalipse e trombetas.
Sobre os mortos do seu tempo
Sou os fios brancos de meus cabelos.
E não há nada que substitua
O sol ou talvez a lua.
Naquele dia, quase pensei seus pensamentos.
Leleco.
segunda-feira, agosto 01, 2011
Xadrez

Há algo estranho nesse cheiro de sombra,
Nessa falta do que fomos ontem,
Em nossos esquecimentos
De um todo para tantos divididos.
Onde nunca ganhei em meus tabuleiros?
Maravilha é o país de Alice, não o meu!
Amantes florindo grávidas de passado
Na barriga do tempo futuro.
Sei que vivo em xeque-mate
Nos seus lábios de vírgulas afogadas
Por aquele beijo ausência
Que perdi em minhas lágrimas.
Leleco.
sexta-feira, julho 22, 2011
Amnésia
Tão amanhã
Partir como quem nunca nasceu.
Teus antigos donos de razões prisioneiras
Encaram o olhar do Diabo
Ou apenas o meu?
Tão mortal
Esse gosto de viver
Entre tantos dias intermináveis.
E nem de leve desperta
O sentido do infinito despetalado.
Tão repleto de azul
Arrisco o vôo e insisto na queda.
Por dentro o mundo engarrafa
No correr dos corredores.
Daquilo que existirá
Sou o eco sem memória.
Leleco.
Partir como quem nunca nasceu.
Teus antigos donos de razões prisioneiras
Encaram o olhar do Diabo
Ou apenas o meu?
Tão mortal
Esse gosto de viver
Entre tantos dias intermináveis.
E nem de leve desperta
O sentido do infinito despetalado.
Tão repleto de azul
Arrisco o vôo e insisto na queda.
Por dentro o mundo engarrafa
No correr dos corredores.
Daquilo que existirá
Sou o eco sem memória.
Leleco.
quinta-feira, julho 21, 2011
Das obrigações de saudade
Enxugo algumas chamas
E chamo por nuvens.
Apelo de um abismo
Em obrigações de saudade.
Afogo meu nome
No avesso de sua identidade
E na perna quebrada de minha sombra
Que caminha entre fantasmas.
Enterro o tempo reverso
De um velho deus desenterrado.
O silêncio entre o verbo partir e a frase
É vela que chora e não se revela.
Leleco.
E chamo por nuvens.
Apelo de um abismo
Em obrigações de saudade.
Afogo meu nome
No avesso de sua identidade
E na perna quebrada de minha sombra
Que caminha entre fantasmas.
Enterro o tempo reverso
De um velho deus desenterrado.
O silêncio entre o verbo partir e a frase
É vela que chora e não se revela.
Leleco.
quinta-feira, julho 14, 2011
Sobre o silêncio
Dessa vida vadia só restou
Esse jeito disfarçado de existir.
Dos amores que dobram em mim
Sou os passos que partiram sem voltar.
Alongo algumas insônias
E alugo os meus sonhos.
Sobe e desce os vidros do quarto
Sobre o silêncio feito imagem.
Pulsos atados pela dúvida
Na beira da madrugada.
Alimento delírios líquidos
Em frente ao espelho amarrotado.
Saudade do tempo em que meus olhos foram brasa.
Leleco.
Esse jeito disfarçado de existir.
Dos amores que dobram em mim
Sou os passos que partiram sem voltar.
Alongo algumas insônias
E alugo os meus sonhos.
Sobe e desce os vidros do quarto
Sobre o silêncio feito imagem.
Pulsos atados pela dúvida
Na beira da madrugada.
Alimento delírios líquidos
Em frente ao espelho amarrotado.
Saudade do tempo em que meus olhos foram brasa.
Leleco.
segunda-feira, julho 11, 2011
Aquilo quase alma
Assim vive o inverso do que se diz
E todo mundo diz a mesma coisa
Penso, logo invento
E não escuto ninguém.
Volto a ser o que fui
Na condenação da minha rotina.
O nada imagina memórias esquecidas
Antes do fim do dia.
Arrasto qualquer vontade conversível de amar
Nos três espelhos que não pareço.
Algum inferno aquece aquilo quase alma
Enquanto queimo no pecado das palavras.
Leleco.
E todo mundo diz a mesma coisa
Penso, logo invento
E não escuto ninguém.
Volto a ser o que fui
Na condenação da minha rotina.
O nada imagina memórias esquecidas
Antes do fim do dia.
Arrasto qualquer vontade conversível de amar
Nos três espelhos que não pareço.
Algum inferno aquece aquilo quase alma
Enquanto queimo no pecado das palavras.
Leleco.
terça-feira, julho 05, 2011
Gaiola
É quase manhã
Na gaiola do tempo
E eu ainda nem sei se é falta ou saudade
Esse vazio de vidro a se quebrar por dentro.
Estou tomando algum sentido.
Um sorriso
Tão rico e não me pertence.
O próximo,
Cada vez mais distante.
Doce de abóbora
Sapato e gravata
Carne assada
Aprendi a odiar.
Estou pensando em casar.
Invento o último andar
Nuvens são girafas
Giro a garrafa e é uma vida que perco
Derramada no álcool.
Estou tentando ser imortal.
Leleco.
Na gaiola do tempo
E eu ainda nem sei se é falta ou saudade
Esse vazio de vidro a se quebrar por dentro.
Estou tomando algum sentido.
Um sorriso
Tão rico e não me pertence.
O próximo,
Cada vez mais distante.
Doce de abóbora
Sapato e gravata
Carne assada
Aprendi a odiar.
Estou pensando em casar.
Invento o último andar
Nuvens são girafas
Giro a garrafa e é uma vida que perco
Derramada no álcool.
Estou tentando ser imortal.
Leleco.
quarta-feira, junho 29, 2011
Rebeldia de Linguagem
O tic-tac do relógio
No tum-tum do coração.
Ping-pong e pinga em mim
O zigue-zague da solidão.
Ah, esse amor em rebeldia de linguagem...
Leleco.
No tum-tum do coração.
Ping-pong e pinga em mim
O zigue-zague da solidão.
Ah, esse amor em rebeldia de linguagem...
Leleco.
Deixa
Deixa que o meu poema
Não tenha solução nem problema.
Assim como os mortos
Ainda vivem em suas idéias.
Deixa que eu rasgue o vento
No acaso esquecido do tempo
E se eu nunca mais regressar
Sou chuva sobre o mar.
Deixa que a noite naufrague
No amor em que sou tarde.
O adeus do último sono
Antes que a insônia acabe.
Leleco.
Não tenha solução nem problema.
Assim como os mortos
Ainda vivem em suas idéias.
Deixa que eu rasgue o vento
No acaso esquecido do tempo
E se eu nunca mais regressar
Sou chuva sobre o mar.
Deixa que a noite naufrague
No amor em que sou tarde.
O adeus do último sono
Antes que a insônia acabe.
Leleco.
sexta-feira, junho 24, 2011
Bumerangue

Sei que é tempo de chegada
Do amor de um século qualquer.
Eu tenho o céu nos olhos,
A vida entre os dedos
E um sorriso queimado de som.
Eu tenho um abraço que abrigam casas
Pra você desfazer suas malas
E vestir a saudade de nunca mais.
Venha inventar caminhos em meus cabelos
Relógios e paredes
Não ferem mais o tempo.
Enquanto o dia se descobre
Adormeço burocraticamente em seu peito.
Passos pisam de leve essa areia
Do mar que nos levará além.
"Te faço um filho, te dou outra vida pra te mostrar quem sou..."
Leleco. (Para Débora)
terça-feira, junho 21, 2011
Bactéria
Eu vou escrever um bolero-bactéria
Pra infectar o seu silêncio
Com a canção do meu corpo frágil.
Alfinetar o próprio voodoo
Num ritual orgiástico das oferendas.
Evapora leve no ar
A modernidade, helicópteros e haxixe.
Enquanto notícias de minha carne
Escorrem em bocas médicas.
Bêbadas bruxas e suas misturas antibióticas
Servidas no café-da-manhã
Sustentam algum lirismo e prolongam a distância
Entre o desespero e o vazio.
Apodreço em mim mesmo
Ignorando os abutres do tempo.
Apago o nome da memória
E permaneço com o cheiro de minha infância.
Leleco.
Pra infectar o seu silêncio
Com a canção do meu corpo frágil.
Alfinetar o próprio voodoo
Num ritual orgiástico das oferendas.
Evapora leve no ar
A modernidade, helicópteros e haxixe.
Enquanto notícias de minha carne
Escorrem em bocas médicas.
Bêbadas bruxas e suas misturas antibióticas
Servidas no café-da-manhã
Sustentam algum lirismo e prolongam a distância
Entre o desespero e o vazio.
Apodreço em mim mesmo
Ignorando os abutres do tempo.
Apago o nome da memória
E permaneço com o cheiro de minha infância.
Leleco.
sexta-feira, junho 17, 2011
Alerta Geral
Poesia virou emprego, salário e jornalzinho da PUC
Rimando abacate com avestruz
Pra impressionar menininha no facebook.
Com esse ar "pós-moderno",
O máximo que conseguirá é que o diabo lhe carregue.
Esse é o meu alerta geral:
Ser poeta é ir além,
Amar e viver como tal
E não apenas quando convém.
Leleco.
Rimando abacate com avestruz
Pra impressionar menininha no facebook.
Com esse ar "pós-moderno",
O máximo que conseguirá é que o diabo lhe carregue.
Esse é o meu alerta geral:
Ser poeta é ir além,
Amar e viver como tal
E não apenas quando convém.
Leleco.
segunda-feira, junho 13, 2011
Monocromático Amor
Agora é hora de descolorir o amor:
Casas e cascos fechados em ti.
Correto e reto pra entortar a dois.
Trincos e trintas no tempo acorrentado em mim.
Limpos e lavados sonhos
Sepultados nos sertões de minha insônia.
O rosto inventado pelo espelho
Bebendo sede na angústia do depois.
Escudos e escamas de outras redes
Nas águas rasas de minhas lágrimas.
Ensaiei, inutilmente, a morte quase vinte vezes
Em bêbadas manhãs mal-dormidas de domingo.
Até pra morrer é preciso estar vivo!
Leleco.
Casas e cascos fechados em ti.
Correto e reto pra entortar a dois.
Trincos e trintas no tempo acorrentado em mim.
Limpos e lavados sonhos
Sepultados nos sertões de minha insônia.
O rosto inventado pelo espelho
Bebendo sede na angústia do depois.
Escudos e escamas de outras redes
Nas águas rasas de minhas lágrimas.
Ensaiei, inutilmente, a morte quase vinte vezes
Em bêbadas manhãs mal-dormidas de domingo.
Até pra morrer é preciso estar vivo!
Leleco.
quinta-feira, junho 09, 2011
Santa Paciência
Tornei a saudade cinza
Para que o amor produzisse o relâmpago.
Tenho um sorriso enfeitado
De dez poemas roubados.
Em mim criei o silêncio
Refletido na distância que mastigo.
E que venha a tempestade
Na palavra sem ser dita.
Se sou o soluço do relógio
É porque vivo deste morrer de espera sem fim.
Oh, Santa Paciência
Rogai por mim!
Leleco.
Para que o amor produzisse o relâmpago.
Tenho um sorriso enfeitado
De dez poemas roubados.
Em mim criei o silêncio
Refletido na distância que mastigo.
E que venha a tempestade
Na palavra sem ser dita.
Se sou o soluço do relógio
É porque vivo deste morrer de espera sem fim.
Oh, Santa Paciência
Rogai por mim!
Leleco.
terça-feira, junho 07, 2011
Vulcão
Enterrei a idéia que ninguém lembra
Nos corredores de minha cabeça.
Acordei sonhando transparências
Antes da cor do meio-dia.
Arrastei o tempo morto
Pelas esquinas onde sou suicida.
Restou esse eco oco de coisa alguma
Em promessas novas de futuro.
Inventei alucinações semiloucas suas
Pra dissolver qualquer vazio da razão.
E o meu corpo ausência implora
Pela sua febre morna de vulcão.
Leleco.
Nos corredores de minha cabeça.
Acordei sonhando transparências
Antes da cor do meio-dia.
Arrastei o tempo morto
Pelas esquinas onde sou suicida.
Restou esse eco oco de coisa alguma
Em promessas novas de futuro.
Inventei alucinações semiloucas suas
Pra dissolver qualquer vazio da razão.
E o meu corpo ausência implora
Pela sua febre morna de vulcão.
Leleco.
quarta-feira, maio 25, 2011
Esgoto
Há tantas noites de outras noites
Na febre de meus demônios,
Na sua língua salivante-réptil
E no sufocante rosto pálido.
Há tantos búzios e Cabalas
Na vontade conversível dos desencontros,
Na arma carregada de futuro
E na carne devorada no estupro.
Há tantos vazios viúvos
Na loucura sambando na ponta do punhal,
Nas juras de amor mal-cheirosas
E nos fantasmas de minha mente-quintal.
É preciso inventar novos deuses neuróticos!
Leleco.
Na febre de meus demônios,
Na sua língua salivante-réptil
E no sufocante rosto pálido.
Há tantos búzios e Cabalas
Na vontade conversível dos desencontros,
Na arma carregada de futuro
E na carne devorada no estupro.
Há tantos vazios viúvos
Na loucura sambando na ponta do punhal,
Nas juras de amor mal-cheirosas
E nos fantasmas de minha mente-quintal.
É preciso inventar novos deuses neuróticos!
Leleco.
terça-feira, maio 24, 2011
Desencapado
Esqueleto do tempo
Despencando corpos no quarto inquieto.
Eu era um pouco da tua falta
No espaço vazio do meu abraço.
Sobrou apenas o seu esmalte descascado
Atravessando minhas costas.
E os fios desencapados de seus cabelos
Ainda queimam o travesseiro.
Leleco.
Despencando corpos no quarto inquieto.
Eu era um pouco da tua falta
No espaço vazio do meu abraço.
Sobrou apenas o seu esmalte descascado
Atravessando minhas costas.
E os fios desencapados de seus cabelos
Ainda queimam o travesseiro.
Leleco.
terça-feira, maio 17, 2011
Evils
Eu me dissolvo
Na ausência de chão.
Eu me abandono em você
E no domingo de seus pijamas.
Vestindo Copacabana disfarço solidão
Na crônica infiel da liberdade inútil.
Ateei fogo aos seus cabelos
Que é a cor que eu tenho agora.
Sou o mais original ao dormir
Sem a culpa que achei no lixo
"It`s now or never"
Cantou Elvis na camiseta sua.
Leleco.
Na ausência de chão.
Eu me abandono em você
E no domingo de seus pijamas.
Vestindo Copacabana disfarço solidão
Na crônica infiel da liberdade inútil.
Ateei fogo aos seus cabelos
Que é a cor que eu tenho agora.
Sou o mais original ao dormir
Sem a culpa que achei no lixo
"It`s now or never"
Cantou Elvis na camiseta sua.
Leleco.
sábado, maio 14, 2011
Esquizo
Boca roxa frouxa de uva sua
Suficiente para ficar louca.
Abelha mel melancolia
Do pólen saudade poesia.
Seu anti-Cuba, Coca-Cola choca
Sorriso cretino de Fidel
Fidelidade recheada com desgosto
Comunismo incomum invoca.
Seu hálito de zinco
Isótopos brincos oxidados
Abanando o ar da noite
Na perna nua da prostituta.
Seu delírio e xamanismo urbano
Esfaqueando o outono pelas costas.
Esquizo esquimó à porta do hospício
Bate o tambor em rítmo suicida.
Leleco.
Suficiente para ficar louca.
Abelha mel melancolia
Do pólen saudade poesia.
Seu anti-Cuba, Coca-Cola choca
Sorriso cretino de Fidel
Fidelidade recheada com desgosto
Comunismo incomum invoca.
Seu hálito de zinco
Isótopos brincos oxidados
Abanando o ar da noite
Na perna nua da prostituta.
Seu delírio e xamanismo urbano
Esfaqueando o outono pelas costas.
Esquizo esquimó à porta do hospício
Bate o tambor em rítmo suicida.
Leleco.
sábado, maio 07, 2011
O Uivo
O tempo se esgota
Na tempestade rouca do mundo.
Cidade cemitério em festa
Margaridas negras devoram góticos.
Saudade atravessando relógios
Atlântico Samba-Ars antiqua
Metralhando em mim polifonia,
Poesia e possessão.
A vida no meu calcanhar
E o que restou do soluço?
Onze borboletas em meu telhado de lágrimas
Apenas eu!
Talvez ateu.
Já não há adeus.
O uivo condenado da alma
Minúsculo e quase nada
Vestindo o invisível peso da solidão.
Leleco.
Na tempestade rouca do mundo.
Cidade cemitério em festa
Margaridas negras devoram góticos.
Saudade atravessando relógios
Atlântico Samba-Ars antiqua
Metralhando em mim polifonia,
Poesia e possessão.
A vida no meu calcanhar
E o que restou do soluço?
Onze borboletas em meu telhado de lágrimas
Apenas eu!
Talvez ateu.
Já não há adeus.
O uivo condenado da alma
Minúsculo e quase nada
Vestindo o invisível peso da solidão.
Leleco.
quarta-feira, maio 04, 2011
Nota de Falecimento
É com pesar que comunicamos o falecimento do poeta Leleco, trinta e poucos anos, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, vítima de saudade aguda. Leleco era bastante desconhecido no meio, se especializou em relacionamentos efêmeros; porém, nunca publicou um livro.
Seu corpo foi encontrado pelas ruas de nossa cidade, na condição de indigente. Ao lado do corpo, haviam cinco poemas de Vladimir Maiakovski, uma garrafa de whisky vazia e a foto amassada de uma mulher. Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares e amigos nossas condolências.
Equipe Blogspot.
Seu corpo foi encontrado pelas ruas de nossa cidade, na condição de indigente. Ao lado do corpo, haviam cinco poemas de Vladimir Maiakovski, uma garrafa de whisky vazia e a foto amassada de uma mulher. Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares e amigos nossas condolências.
Equipe Blogspot.
segunda-feira, maio 02, 2011
En Avant
Sempre em frente
Amor atrofiado
Enquanto a vida descobre
Que o tempo mergulha em sinfonia branca.
Depois, silêncio.
- Vazio burocrático da saudade -
É preciso seguir
Antes que transborde a chuva fina
Ou talvez meus versos.
Restou apenas
Essa bomba-relógio no bolso
Aprisionando o infinito.
Poderia ter sido ontem.
Poderá ser amanhã.
Continue caminhando...
Leleco.
* Foto: Débora Furtado/ Lyon, 2011.
quinta-feira, abril 28, 2011
Caleidoscópio
Quem sabe alguém me espere
Entre teus cabelos soltos,
No silêncio bíblico da heresia
Ou quando eu não mais existir.
Quem sabe alguém me encontre
No teu vestido de noiva,
Na neblina mofada da noite
Ou quando eu não mais resistir.
Quem sabe alguém me esqueça
Na solidão de cada existência,
Na culpa do que não fomos
Ou quando eu não mais fingir.
Quem sabe você me volte
No casulo de teus abraços,
No caleidoscópio assimétrico do nosso amor
Ou quando eu não mais desistir.
Leleco.
* Foto: Débora Furtado/ Paris, 2011.
terça-feira, abril 26, 2011
Âncora
Após muito lhe esperar,
Eu era a própria falta
Da memória onde eu não lembrava.
Depois, deixei além
Aquele ontem confuso.
Algo de nós permanece no chão do tempo
Quem sabe seja eu esse mar sem nuvens
Enrolado em seus braços.
Aqueço aquilo que sonhamos
Nos passos que voltam sós.
O céu sobe a minha saudade
E a chuva imagina a nova causa.
Leleco.
Eu era a própria falta
Da memória onde eu não lembrava.
Depois, deixei além
Aquele ontem confuso.
Algo de nós permanece no chão do tempo
Quem sabe seja eu esse mar sem nuvens
Enrolado em seus braços.
Aqueço aquilo que sonhamos
Nos passos que voltam sós.
O céu sobe a minha saudade
E a chuva imagina a nova causa.
Leleco.
segunda-feira, abril 18, 2011
Véspera
Hoje é véspera de mim
E eu com essa cara de anteontem
Cuspindo a baba histérica do delírio
De nenhuma loucura.
Haja Deus e tantos Saturnos
Pra esse pobre coração soturno.
Não há tempo a perder
Quando é tempo de se perder.
Eu sou a orgia exagerada
Que molha a sua calcinha
Com medo de se afogar.
O vento vinha vinho em mim
E acordo ao seu lado
Embrulhado em plástico-bolha.
Beber e soluçar ressacas
Antes do fim do dia
Enquanto enrolo minha vida
No sabor menta de sua língua.
Leleco.
E eu com essa cara de anteontem
Cuspindo a baba histérica do delírio
De nenhuma loucura.
Haja Deus e tantos Saturnos
Pra esse pobre coração soturno.
Não há tempo a perder
Quando é tempo de se perder.
Eu sou a orgia exagerada
Que molha a sua calcinha
Com medo de se afogar.
O vento vinha vinho em mim
E acordo ao seu lado
Embrulhado em plástico-bolha.
Beber e soluçar ressacas
Antes do fim do dia
Enquanto enrolo minha vida
No sabor menta de sua língua.
Leleco.
sexta-feira, abril 08, 2011
Abeille
Ah, essa velha abelha
No meu calcanhar.
Despetalando dúvidas
E divorciando saudade.
Eu mudo.
Eu me mudo.
Por debaixo das palavras,
Isso seria quase nada
Se não fosse quase tudo.
Aqui ausente de ti
É uma loucura tão infame
Desafiar o futuro soprando incertezas.
Abeille, je t'aime!
Leleco.
No meu calcanhar.
Despetalando dúvidas
E divorciando saudade.
Eu mudo.
Eu me mudo.
Por debaixo das palavras,
Isso seria quase nada
Se não fosse quase tudo.
Aqui ausente de ti
É uma loucura tão infame
Desafiar o futuro soprando incertezas.
Abeille, je t'aime!
Leleco.
Fagulha

Inventei uma palavra oleosa
Para não escorregar
Nos olhos líquidos
Das vidraças míopes.
E você precisou sumir
E foi.
Por dentro a vida envelheceu
E não era o último dia do mundo.
Tudo acabou ficando úmido
No verso do silêncio
Enquanto minha insônia
Sonha com amor nenhum.
Ante o que fui,
Descubro o que sol
Apagado num sorriso quase febril,
Observo a alma secar no varal.
"Come on baby, light my fire..."
Leleco.
quinta-feira, março 31, 2011
Contém Álcool
Falta
Mata
Um
E existe
O que nunca foi
E sinto
Como sempre
Morro só por hoje.
Acordo caduco
Melancolia de menino
Cuspindo entulho
Liberdade que se aprende
Na tinta fresca do muro.
Poucas moedas moídas
Desequilibrando minhas pernas
Esmolo poemas
Verdades que são minhas
E não me sabes.
A volta
Há volta?
Desajeitado tempo ninguém
Envelhecido pelo álcool
Angústia absurda
E ela disse: "- Poeta é tudo filho da puta!"
Leleco.
Mata
Um
E existe
O que nunca foi
E sinto
Como sempre
Morro só por hoje.
Acordo caduco
Melancolia de menino
Cuspindo entulho
Liberdade que se aprende
Na tinta fresca do muro.
Poucas moedas moídas
Desequilibrando minhas pernas
Esmolo poemas
Verdades que são minhas
E não me sabes.
A volta
Há volta?
Desajeitado tempo ninguém
Envelhecido pelo álcool
Angústia absurda
E ela disse: "- Poeta é tudo filho da puta!"
Leleco.
terça-feira, março 29, 2011
Sábado de Aleluia
A carne vai sobrando
No prato vivo que não mastigo.
Guardo o sol longe do corpo
E lá fora, afogo o que ainda será fogo.
Esquisito é o meu implorar pelo frio
Ardendo almas e traumas
Da loucura do outro,
Na falta de sono
Do sonho que vai vencer.
Eu não me salvei
Dos litros de delírios que salivei.
E ofereço a saudade do que fui
Para Judas no sábado de aleluia.
Leleco.
No prato vivo que não mastigo.
Guardo o sol longe do corpo
E lá fora, afogo o que ainda será fogo.
Esquisito é o meu implorar pelo frio
Ardendo almas e traumas
Da loucura do outro,
Na falta de sono
Do sonho que vai vencer.
Eu não me salvei
Dos litros de delírios que salivei.
E ofereço a saudade do que fui
Para Judas no sábado de aleluia.
Leleco.
sexta-feira, março 25, 2011
Vermelho pode ser violeta
O amor veste um amargo bordeaux
E vem me cobrar impostos.
É que desconheço a tal mistura
Da uva espremida na garrafa de vinho.
Quase cinza, sorri para o fogo
E todos me condenaram.
Ninguém me reconhece mais
Pareço até ser quem nunca morri.
Sopro baforadas de barulho
No silêncio intelectual dos ignorantes.
Esse acúmulo verde dos olhos
Na cegueira vermelha dos amantes.
Eu menti sobre mim,
Sou um ninguém chamado saudade.
Você sabe bem o que eu sempre quis:
Recitar poemas em cardápios de bar.
Naquele dia, você havia misturado
Vermelho com vinho perolado.
Leleco.
E vem me cobrar impostos.
É que desconheço a tal mistura
Da uva espremida na garrafa de vinho.
Quase cinza, sorri para o fogo
E todos me condenaram.
Ninguém me reconhece mais
Pareço até ser quem nunca morri.
Sopro baforadas de barulho
No silêncio intelectual dos ignorantes.
Esse acúmulo verde dos olhos
Na cegueira vermelha dos amantes.
Eu menti sobre mim,
Sou um ninguém chamado saudade.
Você sabe bem o que eu sempre quis:
Recitar poemas em cardápios de bar.
Naquele dia, você havia misturado
Vermelho com vinho perolado.
Leleco.
sexta-feira, março 11, 2011
Sommeil artificiel (O outro lado)
Dorme em mim
Assim, de leve.
Dorme aqui
Sonhando telas de Dalí.
Dorme, menina
A saudade asfixia
E nenhum ansiolítico
É melhor que o meu peito.
O mundo é pequeno
Entre o mito e o medo.
Ninguém chora o meu silêncio
Na palma da sua mão vazia.
Ah, esse sono de verão
No desprezo do inverno.
Tantos aquários da imaginação
Na solidão do travesseiro.
Leleco.
Assim, de leve.
Dorme aqui
Sonhando telas de Dalí.
Dorme, menina
A saudade asfixia
E nenhum ansiolítico
É melhor que o meu peito.
O mundo é pequeno
Entre o mito e o medo.
Ninguém chora o meu silêncio
Na palma da sua mão vazia.
Ah, esse sono de verão
No desprezo do inverno.
Tantos aquários da imaginação
Na solidão do travesseiro.
Leleco.
quarta-feira, março 02, 2011
Cólica
Traí
Distraí
Embriagado no tapete
Catando anjos microscópicos
Nas caixas do céu.
O cérebro procurando uma brecha
No universo, na lucidez
Ou além das vogais amassadas
De uma nota no obituário.
Ah, esse perfume velho da noite
Panfletando vagalumes inquietos
Na boca arreganhada
De algum Orixá.
Sufoco o riso e me dói o miocárdio
Sempre começo pelo fim
Por isso, nunca caso.
Trezentos dias
Em seus cabelos espalhados pela cama.
A melancolia e o sonho,
Caminham sobre lâminas.
Na cólica da virgem
O poeta se alimenta.
Leleco.
Distraí
Embriagado no tapete
Catando anjos microscópicos
Nas caixas do céu.
O cérebro procurando uma brecha
No universo, na lucidez
Ou além das vogais amassadas
De uma nota no obituário.
Ah, esse perfume velho da noite
Panfletando vagalumes inquietos
Na boca arreganhada
De algum Orixá.
Sufoco o riso e me dói o miocárdio
Sempre começo pelo fim
Por isso, nunca caso.
Trezentos dias
Em seus cabelos espalhados pela cama.
A melancolia e o sonho,
Caminham sobre lâminas.
Na cólica da virgem
O poeta se alimenta.
Leleco.
terça-feira, março 01, 2011
Bule Blue

Bule blue
Café e cafuné
Doce é o açucareiro,
Diabético é o amor.
Faca tramontina
Pão e requeijão
Saliva de menina
Às nove da matina.
No verso do envelope
Um demônio familiar.
Vontade de tossir um cigarro
Pra afastar mau-olhado.
Há bons dias esquecidos pela agonia
Depois de amanhã, serei o agora
Esvaziando o ontem
Na três por quatro da fotografia.
Leleco.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
L` hospice de Charenton
Aqui jaz
O amor lilás
Na ausência ardente das horas.
Tudo foi um mal-entendido
Entre o poeta e o divino.
A agonia de seus demônios
Nesse céu sombra azul.
Sobra-me um episódio de saudade
Da literatura suja de Marquês de Sade
Derramando em mim
O gosto pela eternidade.
Leleco. (Para Donatien Alphonse François de Sade)
O amor lilás
Na ausência ardente das horas.
Tudo foi um mal-entendido
Entre o poeta e o divino.
A agonia de seus demônios
Nesse céu sombra azul.
Sobra-me um episódio de saudade
Da literatura suja de Marquês de Sade
Derramando em mim
O gosto pela eternidade.
Leleco. (Para Donatien Alphonse François de Sade)
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Cigarrilhas
Poesia embrulhada em papel de bala
Perfume de palavra suja
Deus esvaziou o mundo
E no meu cinzeiro,
Ainda moram algumas cigarras.
Desenho Kandinsky em suas coxas
Enquanto a ressaca me bebe as horas.
Ingênuo gênio pornográfico
Na monogamia da traição.
Tudo agora é outro parêntese
Você sorri lábios enquanto pinta as unhas
Eu te faço o jantar
E falo sobre a incerteza do fogão.
Leleco.
Perfume de palavra suja
Deus esvaziou o mundo
E no meu cinzeiro,
Ainda moram algumas cigarras.
Desenho Kandinsky em suas coxas
Enquanto a ressaca me bebe as horas.
Ingênuo gênio pornográfico
Na monogamia da traição.
Tudo agora é outro parêntese
Você sorri lábios enquanto pinta as unhas
Eu te faço o jantar
E falo sobre a incerteza do fogão.
Leleco.
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
A Valsa do Mendigo (Pedido de Casamento)
Me lave, meu love.
Me leve de leve
No doce mistério.
Silêncio poeira
Desfilando pervertidas pernas atrevidas
Na menina namoradeira.
Esfomeado corpo revolto
Parte, portas e portos.
Suspiro quase rouco
Em olhos de aeroporto.
Sempre pouca certeza nos bolsos
De algum velho amor novo.
Acendendo a mesma estrela
Em qualquer manhã amarela.
Melhor suor derretido em mim,
Abandonai a espera
E dance comigo
A valsa do mendigo.
Leleco.
Me leve de leve
No doce mistério.
Silêncio poeira
Desfilando pervertidas pernas atrevidas
Na menina namoradeira.
Esfomeado corpo revolto
Parte, portas e portos.
Suspiro quase rouco
Em olhos de aeroporto.
Sempre pouca certeza nos bolsos
De algum velho amor novo.
Acendendo a mesma estrela
Em qualquer manhã amarela.
Melhor suor derretido em mim,
Abandonai a espera
E dance comigo
A valsa do mendigo.
Leleco.
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