sexta-feira, agosto 20, 2010

Um homem chamado Ninguém

Eu não vou escrever nada
Além do que você já sabe ou deveria.
Eu não uso loção pós-barba
Aliás, eu nem faço mais a barba.
Calculo o amor pela ausência
E cada qual se encontra só em sua suficiência.

Eu não acredito em Deus nem no Diabo
E eles também não devem acreditar em mim.
Duvido quase sempre do que penso
Afinal, existo, logo penso.

Derramo vinho no meu ex-tômago
Armo a bomba!
E tudo queima dentro de mim.
Você ainda quer que eu sorria
E ofereça alegria?

Leia o meu silêncio, finalmente, bem educado
Todo psicólogo é psicologicamente pertubado.
Eu não creio em santos e sábios,
Só confio na palavra simples e pura da puta.
Antes de morrer,
Toda sabedoria é nula.

Respingo verdades quando convém,
Engano o vazio alimentando um bêbado equilíbrio,
Esqueço e sou esquecido pela banalidade coletiva.
Todo mundo diz a mesma coisa:
"Poesia não vale um vintém!"

Leleco.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Insetos Incertos

Incansáveis vagalumes de ontem
Por que ainda escurecem minha poesia?
Eu grito percevejos do eco
Diante desse espelho do absurdo.

Aqui, ausente de tudo,
Arrasto o tempo por descuido
E espero alguma esperança
Já que estou face a face com Deus
Vendo que sempre tive razão.

Exijo a urgência da vida
Sufocando a mim mesmo
E desafio qualquer mosquito
A compôr uma sinfonia em meu ouvido.
(Pode ser Bach, pode ser Gonzagão)

Conservo meus pecados
Na falta de pesticida.
Decifro o sorriso dos insetos insanos
E lá se foi mais um ano...

Leleco.

terça-feira, agosto 10, 2010

Invisível

Um vale o outro
Dos quais só um
Abandona o outro lado.
Vinte segundos virado ao avesso
E me torno vários.

Alguém aceita o meu buquê de neurônios?
Ao que tudo indica,
Continuo vivo nesse corpo escorregadio.
Desvio vadio do equilíbrio
Nas quedas que eu não arrisco.

Agora pareço um quadro qualquer de Renoir
No meio desse silêncio branco
Querendo ser tudo e aceitando não ser nada.
Esquecido na poesia não lida de suas virgens filhas
Ah, como eu queria ter escrito a Bíblia...

Leleco.

sexta-feira, agosto 06, 2010

A Mariana que me encanta



Durante toda a minha existência, esperei libertar borboletas no aquário. Hoje é o dia! Hojé é o dia dela! Hoje é o dia M.! Mariana, Margarida, Marga-linda... a invenção da vida carrega consigo uma sutileza em cada sorriso.
Provo, pela contraprova, que o amor produz por si próprio uma vontade infinita de sentidos. O tempo não pára, mas resistir é preciso! Já dançamos em pontas de cigarros, bebemos litros de saudade, construímos pontes e estradas que nos levaram para a cama.
Mariana ama, canta e encanta cada fração do meu dia. É o meu pensamento constante, luxo e lixo de minha poesia. Mariana é a busca incansável e apaixonada do que é ser e que se define justamente pelo encontro da força que escorre do seu olhar.
Depois dela, nada será novo. Arrisco ao máximo a felicidade, abandono tudo o que me dá segurança e mergulho nesse desconhecido. Mariana é o meu novo a cada linha, a cada beijo e a cada simplicidade com que reinventa nosso início a cada manhã.
Então, é tudo contra nada!
Trata-se de uma outra vida, e ela me devolve a velha juventude indestrutível.
Deixai florir espartilhos, aventuras, canções, poesia, casa, estrelas, filhos e migalha.
Afinal, o amor não volta para pedir razão.

Feliz Aniversário, Mariana!
Amo-te completamente!
Daqui até depois do sempre!

Leleco.

terça-feira, agosto 03, 2010

A gosto da leoa


No sete que se completam dezenove,
Nada deve permanecer imóvel.
Outro nome em outros batismos
No teu mar de Agosto.

As sobras do tempo e a vida crua
Deslizando pelo teto empoeirado do Empório.
Entre Marte e Mercúrio,
Mergulho no gim todo o meu orgulho.

O eu do meu bem,
Anjo decaído de uma fé cega
Plantando e implantando
Sorriso em pedra.

Viva nossa geografia
No azul céu do lençól.
Dormindo o amor em meu sonho
No mês do cachorro-louco.

Acordo cantando baixinho:
"Gosto muito de te ver, leãozinho..."

Leleco.

quarta-feira, julho 28, 2010

11:56 pm de um futuro qualquer

O amor absolve ou condena
A distância que a balança equilibra?
Tantas rotas quase roucas
Do tempo que é solidão.

As paredes soluçando o infinito
Desde o fim até o princípio.
Pelas mortes que morri,
Deus precisa de mim para existir.

Um luto nos relógios
Pra esquivar essa insônia.
Tinta que não chora nunca
No verso prisioneiro de sua crônica.

Era apenas eu embaixo do seu lençól?

Leleco.

terça-feira, julho 27, 2010

Tempo são

Pílula
Pupila
Cada um
Todos
Aquilo
Outros.

De repente
É preciso
Grito ruído
Venta
E ninguém lamenta.

Desordem
Dilúvio
Delírio por delícia.
Mímica mistura de mim
Isso não é doença
Todo capeta toca punheta.

Tempo são
Substantivos
Substância em solução.
Não vivo sem
O que o fogo mantém.

No fundo flutua
A solidão da puta
Antes de tudo
Ignoro os atributos.

Vagabundo poeta
Atira palavras, nunca pedra.
E diante da idéia
O bêbado repete La bella.

Vaso vazio
Casaco de frio
Amor de margarida
Ninguém duvida.

Leleco.

segunda-feira, julho 19, 2010

Melhor que cem

Um faz viver o outro
E faz renascer no outro
A antiga definição do amor.

Acima de toda esperança,
Encontro o futuro
Na certeza do beijo.
E no coração, meu bem
Não cabe mais ninguém.

Dobro a falta
Nesse nó de nós dois
(Meio-caminho entre a presença e a ausência).
Vento silencioso do abraço
Na despedida dos meus passos.

Desfio a vida
E repouso sobre sua barriga.
É, pouca gente sabe, meu bem
Que um grande amor é melhor que cem.

Leleco.

terça-feira, julho 06, 2010

Bendito



Três vezes bendito
Como se silêncio fosse
Trocar o dito pelo não-dito.

Pedro pescando modernidades
Na divina festa dos homens.
Despertando o riso dos deuses
Escondidos no bolso do padre.

Ela se estica
E tudo estala nos corredores de minha cabeça.
Descubro a mulher de minhas mil vidas
Entre a tontura e a ressaca.

A saudade que corta
É a aliança da próxima estação.
Bendito seja nosso delírio!

Leleco.

quarta-feira, junho 30, 2010

Ontem

Parece que foi ontem
O tempo solto no seu sorriso
E que eu tão distraído
Pedi duas cervejas e um mojito.

Parece que foi ontem
O seu jeito de andar pisando em nuvens
Entre tantos pés indecisos.

Parece que foi ontem
Distâncias e margaridas
Somando estrelas espremidas
No céu de minha cama.

Parece que foi ontem
O amor rasgando nossa boca
E eu traduzindo o Moska.

Parece que foi ontem
Aquela saudade sem eira nem beira
Pelo simples fato
Que hoje ainda é quarta-feira.

Leleco.

quinta-feira, junho 24, 2010

O Papagaio do Analista

Acordei sustenido
Suspenso pelo cansaço
Daquela velha fuga em sol menor
Que nunca fez sentido.

Afoguei verdades
No ventre de tua mãe
E ainda me faltam abrigos.
Calei a palavra repetida
Pelo chato papagaio do analista.

Esmaguei a cabeça
Em alguns pensamentos
Para lembrar quem eu fui.
Pode ser a minha cruz
Ou qualquer cruzamento.

Esqueci no meu corpo
O desequilíbrio da certeza.
Enganei a mim mesmo
Acompanhado de uma indispensável fraqueza.

Leleco.

quarta-feira, junho 16, 2010

Batata Frita


Comecei a engarrafar
Nuvens, almas e deuses.
Alimentei com beijos
As estrelas do céu, do mar e do pulso.
E, bem no fundo,
Toda loucura debocha do absurdo.

Algo ama além de nós dois
Nesse sorriso infinito
Que dobra em mim
Ou na palavra de vidro
Que invento pra existir.

Acordei transformado em saudade
E andei com cuidado
Enquanto a vida corria lá fora.
Olhei para o espelho e pensei:
" - O amor é uma batata frita roubada!".

Leleco.

terça-feira, junho 08, 2010

Insônia no mato, me mata.

Piso no seu passo
E o tédio queima no meu dedo.
Restou a sombra
Que você esqueceu na cama
E algumas manchas.
Abracei o frio só pra distrair um sorriso
E fingi ser meu vício.

Toda insônia é infiel
No meu vadio sono.
Abandono o silêncio dos ruídos
Na fuligem dos famintos.

Não há dúvida na despedida
Nem na ferrugem dessa poesia.
A saudade rouba e não devolve
A noite que engoliu o dia.

Leleco.

sexta-feira, junho 04, 2010

Um chopp com Chopin

Cada nota musical
É uma bolha de sabão
E haja Chopin pra tanta imaginação.
Tudo é desconhecido e belo
Quando morro de novo.

Pão de queijo com cerveja
Nem sempre combina tão bem
Quanto o seu beijo molhado.
Fui saudade, sou amor
Na tarde cinza que o tempo inventou.

Nariz gelado geleira geladeira
Na neve da despedida.
Nossa vontade escorrendo dos cabelos
E debruçando nas retinas.

Case-se comigo
Enquanto ainda é fácil sustentar algum lirismo.

Leleco.

segunda-feira, maio 31, 2010

Constelação

Anoiteceu
E nenhum Ogum apareceu.
Rodam raios e nada arrisca
Aquele homem artista.

Diamantes e rubis
No carnaval do Arlequim.
O silêncio do não ser
Na gritaria em mim.

Deus é tão ateu quanto eu
Quando bebe o tempo lentamente
E mata na garganta
A melancolia de qualquer poesia.

Cantigas de ninar
Antes que o futuro
Não se deixe mais amar.
Sombras de sim
No céu de tanto não.

Herdei da vida essa tal constelação.

Leleco.

sexta-feira, maio 28, 2010

Privada



Acordei tarde demais
Pra sentir quem eu fui.
Afogado na ressaca dos que bebem
A solidão das paredes.

Aquele que recolhe almas
Também desmaia estrelas pelo escuro
Do cinza em que me deito
Na infinita tinta do muro.

Um frio fino rasga o meu torto sorriso
Tudo é colorido e misturado com álcool.
Depois e antes
A privada se tornou a minha amante.

Leleco.

quarta-feira, maio 26, 2010

A saudade é um ovo mexido (mini-poema de amor)

Agora eu existo
No verso mastigado de nenhum artista.
Alguém gira a minha vida
E tudo parece
Ovo mexido e poesia.

Da esquerda para a direita,
O relógio marca o nascimento e o fim.
Antiga repetição monótona
Da saudade em mim.

O amor feito de tempo
Atravessa o espaço até você.
Entre e além da cama
Permaneço devorando o tédio da semana.

Leleco.

sexta-feira, maio 21, 2010

Emotional Hardcore


Nada nos livros
Ou em lugar nenhum.
Tudo agora é mentira!
Afinal, o que devo entender por verdade?

Na hora certa,
Deus não suportará o silêncio dos poetas.
É melhor assim!
E que horas são?

Quanto mais eu corro risco,
Mais me afasto do perigo.
Quem se importa
Se a imbecilidade tornou-se moda?
Esqueça as minhas paranóias
E enfie no cú essa nova Geração Coca-Cola!

Leleco.

terça-feira, maio 18, 2010

Eu-líquido

A chuva nasceu no meu quintal
E molha o meu coração suburbano.
O medo treme de frio
Do amor que afogou o meu Rio.

Os retratos voltaram a sorrir
Enquanto a goteira
Pinga beijos em minha boca,
Gastando o meu silêncio
E moldando o seu corpo.

Lavei e limpei a alma
Nas águas que espalham outras águas.
A solidão escorre pelo ralo
Junto com a sujeira que navega pelo asfalto.

"Nadando contra a corrente
Só pra exercitar?"
Cazuza não sabia que nandando contra
A gente pode se encontrar.

L.Eco

domingo, maio 16, 2010

Nem tão santa é a minha Teresa

Comecei a me arrancar
E tudo que cai não é mais antigo.
Guardo em mim essa nova flor
Crescendo em nossos netos, meu amor.

Aluguei a felicidade só pra você
Hidratar o meu coração,
Sorrindo sua tímida tinta dos lábios
E a palavra sem ser dita.

Como se algo pudesse ser dito
Além dos olhos de cachaça, chopp e choro.
Vamos vivendo assim
Entre a ausência e o que há de vir.

E descemos as nuvens de concreto
Pendurados no cometa...

Leandro ou Leleco.

sexta-feira, maio 14, 2010

Na moldura (Para Leleco)


Qual é o gosto do gostoso?
Onde a sede e a fome se tornam banquete?
Invento as loucuras mais incertas
No vazio de mim.
O céu se lança ao mar desnudo
Tudo é tempo, templo, túmulo.

São os minutos moleques
Acelerando os ponteiros
Na moldura dos meus trinta e um.
O que ainda faz parte do que restou?

O silêncio de um domingo no ouvido?
O medo lento do meu nada?
Ou a dança do átomo?
Agora e na hora exata
Esse mesmo intenso imaginar.

Sempre quero mais!
Onde estou que não me encontro
Na voz do eco
Sagrado e profano
Chamado Leleco?

Leandro.

domingo, maio 09, 2010

602 só a dois

Eu sou a alegria dilatada,
O amor e seu inverso.
Esparramado na cama
Devorado pelo sexo.

Acende o desejo
E apaga o medo.
Tudo o que a gente quis
E você repetindo: "- Lê, só se vive por um triz!"

Suor e sangue entre nós
Exatamente virginais.
O sorriso e o gemido acordando o Catete
Ah, eu te amo muito pra cacete!

Leleco.

domingo, maio 02, 2010

Um dia em Guaratiba (Para Mariana)


Eu e Ela
Vivemos de brisa,
Ardemos em brasa esse amor.
A luz nos olhos,
Olhos em mim.
A sede da saliva e cerveja
Na minha boca
Dizendo que sim mais tarde
E isso ainda não é nem a metade.

Nesse aquário,
Todo mar é nosso!
Você me jura a felicidade
Na canção ao meu ouvido
Fecho os olhos e desafio o infinito.

Cutuco o gato
E atravesso o dia
Pensando na foto, na família
Na Pedrita e no Pier.

E já é quase madrugada em Pedra de Guaratiba.

Leleco.

quinta-feira, abril 29, 2010

A Distância

Distância.
A última palavra permanece em mim
Na noite dos que nunca partiram.
O agora caminha pelo meu futuro
Molhado de estrelas.

Acordo o infinito
Para que o amor possa nascer.
Sopro de leve a poeira
Do meu coração-poesia esquecido.

Tanto faz isso ou aquilo
No nosso sorriso vadio
É apenas o silêncio
Derretido no abraço do tempo.

Leleco.

domingo, abril 25, 2010

A lucidez de Lúcifer

Acordo sempre lúcido
Na boca de Lúcifer.
Compreender não é aceitar
De onde vim ou pra onde vou.

O inglês dos ricos
É o dialeto dos pobres
Essa é a única mentira verdadeira.
De ontem até amanhã
Tudo pode ser o contrário.

Volto a ser quem eu fui
No momento da morte.
Jogue os búzios,
Leia a minha sorte!
É a velha loteria da vida:
A agonia do recém-nascido
Contra a própria sina.

Leleco.

sábado, abril 24, 2010

O amor é azul e não cor do céu

O amor é azul
E não cor do céu
Mergulho em você
Ou numa chuva qualquer.

O tempo marca o silêncio no olhar
Tudo é vontade
Na imensa saudade do beijo.

Risco o ar
E quase me esqueço
Do verbo que inventei
Pra te conquistar.

Uma pedra e uma ilha,
Uma estrela em cada corpo
E o que escolhemos para um mundo só nosso.

Sempre,
A vida se renova.

Leleco.

sexta-feira, abril 16, 2010

Um dia branco

O amor se abre
Vestido de branco em algum banco
Ou no olhar de soluço
Enquanto gira o mundo.

A moça que passa
Canta baixinho White Stripes
E deixa pingar sorrisos
Sonhando com o seu "anjo".

Pintou as unhas de céu
Pra não se atrasar na volta.
A noite embranqueceu o dia
E desejou o meu beijo no beijo seu.

Leleco.

quarta-feira, abril 14, 2010

Do Esquecimento

Tudo começa por nada
A mentira e a verdade
E reconheço o que sinto
Quando a vida cobra os seus riscos.

Faltas e defeitos do novo
No olhar de meu espelho.
Estico palavras no ar seco
E desconfio de mim.

Três vezes duvidei da certeza
Com a melancolia dos imortais.
Arranhei pesadelos
Em amores sonhados reais.

O adeus pertence a quem?
Enxugo o suor de minha voz
E atravesso o invisível
Sem pensar em nós.

Leleco.

sábado, abril 10, 2010

Love me do

Vem pra mim
Com estrela no pulso,
Primavera nas mãos
E encontre em mim
Aquilo que procura.

Derreta esse medo amargo
Navegar é preciso!
Leve o meu sorriso
E deixe seus suspiros.

A notícia já espalhou de rua em rua:
"Ela ama um desconhecido".
Minha distância na sua
Acendendo o infinito.

Ah, é uma velha canção dos Beatles.

Leleco.

Biruta (Para F.)

Bebeu a birita
E ficou biruta.
Achou que podia voar
E esqueceu que chão não é mar.

Vermelho vinho proibido
Esparramado no azulejo
Um gosto de vazio
E a cabeça rachada no espelho.

Acendeu um cigarro
E quase chorou.
Prometeu nunca mais misturar
Vodka com estabilizante de humor.

Leleco.

quinta-feira, abril 08, 2010

Interditado



Algumas horas depois,
O tempo recomeça.
Cheio de sono, sal e sorriso.
Todo mundo lembra que esqueceu
A chuva, choro e ruído.

Armadura ou armação
Aquilo que invento?
Amores e misérias
Nos boatos que espalham-se ao vento.

Eu grito pedaços de vidas coloridas
Na distância desse amor impraticável.
A cidade dorme seus vícios
Em você tão indecifrável.

Agora vou somar silêncio
Nesse apartamento.
O vazio repetição
Onde interditaram meus sentimentos.

Leleco.

quinta-feira, abril 01, 2010

Margarida

Veja, margarida
Como é engraçada a vida
Eu daqui, você de lá
Na mesma sintonia.

Olha, margarida
As avenidas do meu jardim,
As cores secretas
E o cheiro de alecrim.

Ai, margarida
O amor apaga a rotina
Vestido de poeta
No riso da menina.

Leleco.

quarta-feira, março 17, 2010

Inutilmente

Ontem choveu
Gotas de sol
Em mim
Em nós
Em tudo.

Entre o tédio e o luto
Algo além do confuso
Anuncia inutilmente
Aquilo que não fomos.

Ah, esse amor torto
É pior parado do que tonto
E por muito pouco
Eu não acabo louco.

Leleco.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Socorro

Socorro!
Só corro em repouso.
Desvio do soco
Nú ou vestido de noivo?

De novo
A fumaça se transformou em sonho
Sorriu dentes de ouro
E arrepiou os ossos.

Tanto faz gêmeos, virgem ou capricórnio
O importante é o fogo.
Porque o resto eu resolvo
E levo a saudade no bolso.

Leleco.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Simpatia nem sempre é amor


Cortou com os dentes
O fim da minha linha.
Prendeu a cor
Em meus delírios.
Tropeçou pelos becos e botecos
As minhas poesias
E quase chorou minhas mentiras.

Bastava ser outro naquele carnaval
Ao sorrir de leve
Num calor de quarenta graus
Fantasiado de febre
Pra alguém se queimar.

Assassinou os minutos
Em minha barba
Tão falhada quanto seus esmaltes
E ainda assim
Fingiu ser minha máscara.

Roeu o meu sono
Antes do relógio marcar às três.
Falou sobre Madame Satã
E beijo sem sabor.
Foi embora e sussurrou:
"-Simpatia nem sempre é amor".

Leleco.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Envelhecer é engordar a morte!

Algumas palavras e um trago
Pra ver o estrago
Que restou em mim.
Pelo chão do nunca mais
Dormem caminhos
E cospem ancestrais.

Ignoro o além céu
E ainda sou eu
Nas horas que morro em sua vida.
Todas as partidas sem chegadas
Plantadas sobre o silêncio
De minha rebeldia.

Sinto saudades
Do tempo que fui lembrança,
Envelhecendo a infância
E inventando a eternidade.

Leleco.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Devolva-me ao mar!

Vou lançar um laço de fita
Tudo que é sólido desmancha no ar.
Em cada sopro do universo
Sempre vide o verso.

Aquilo que ainda escrevo
Talvez já tenha sido escrito
Além do céu frio
Das ruas do meu Rio.

Deixa correr a noite
No champagne que você derramou
E molhou o nosso mundo.
Estranho batismo do verbo amar...
Devolva-me ao mar!

Leleco.

terça-feira, outubro 20, 2009

De Rimbaud à Timóteo




Um livro de Rimbaud
Rímel e batom
Foi tudo o que restou.
Também sou o outro só
Que recolhe almas
Com sorriso indeciso.

Risco o espelho e vejo dois
Há nuvem e neve
Nesse andar esquisito.
Chaplin me daria razão?

Sopra a vida e sopra a morte
Algumas doses de scoth
Adianto o relógio em uma hora
E volto na chuva cantando Agnaldo Timóteo.

Leleco.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Mastigando Vozes

Acordei mastigando vozes
Nada parecia ter mudado.
Arrastei pijama pela casa
E alimentei o gato.

Mordi o dente com raiva
Ao devorar distâncias.
Há cores molhando nossa saudade
Sei que vivo e que morro em sua boca

E de teus cabelos escorrerá o dia...

Leleco.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Adeus da Rosa


Eu grito chuva
Em céus de primavera
À espera do abismo
Que me faça existir.

Eu choro álcool
Em bêbadas calçadas
Tropeçando no tempo
Que me convida a morrer.

Eu canto demônios
Aquecendo meus remorsos.
Em meu silêncio partida
O adeus da rosa suicída.

Leleco.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Alface

Do outro lado da poça
A moça desafia o mundo
Combinando batom vermelho e óculos escuros.

Naquela cidade
Todos arrastam insanidade
De um bem para tantos esquecidos
Em retalhos de um dia frio.

Uma canção no sofá de nós mesmos
E antes que o tempo acabe
"- Vamos viver só de alface!"

Leleco.

quinta-feira, julho 30, 2009

Mosaico



Descartando Descartes
Eu me transformo naquilo que sempre odiei.
Colhendo rosas de mosaico
Em canteiros vazios.

Algum ex-bêbado lê a Bíblia
E masturba o Diabo
Na televisão.
Aposto que não sou mais
Como você me conhecia.

Tenho trinta raios
E o mundo inteiro pra encontrar
O meu sorriso quase perdido.

Leleco.

quarta-feira, julho 15, 2009

A Tomada


Desligo o passado da tomada
No fim da fila,
O impossível recomeça.
A cada qual, seus riscos
Rabisco pelo chão do nunca mais
O agora na hora exata.

Acendo a palha do cigarro,
Esse é o meu jeito de sentir
A pólvora disfarçada na fumaça.
Felicidade alugada
No canto da vida que passa.

Nas esquinas que me esperam
Ou nesse céu de remendos
Sou feito de nada, tudo
E do sangue dos moribundos.

Leleco.

segunda-feira, junho 29, 2009

Incolor

Do nosso lado
Todo amor é incolor.
E amanhã seremos talvez
O nunca e o sempre.

Impensados passos
Em doidas calçadas.
Morro em tua garganta
No grito que você não deu.

Aposto a sua incerteza
Contra o meu desespero
E o que sobra é esse gosto de vazio
De um dia cinzento.

Leleco.

segunda-feira, maio 11, 2009

Roda-Gigante


Eu quero nuvens,
Febre e fuligem
Regressar à própria origem.
Ver a verdade além do escudo,
Ser o trapezista do meu mundo.

Não há deuses pra te consolar
Só restou a chuva fria
Eu improviso uma velha canção
Entre Drummond e Caymmi.

Onde perdi os meus demônios?
Esquinas que já não sinto,
Vida que me alimenta
De cerveja e veneno.

Olha o tempo
Envelhecendo o nosso amor e a nossa morte
Roda-gigante e roda a cabeça
No meio desse show de Rock.

Leleco.

quarta-feira, abril 29, 2009

Fotografia

Recorto o vazio
Morro com os dias
Piso na poça
Água que o vento traz.

Céu sem sol
Sombra de sal
A curva na despedida
O beijo entre duas meninas.

O último dia do mundo
Praia longe do mar
A fotografia que você não revelou
Sopra o que eu fui e devora o que sou.

Leleco.

sexta-feira, abril 24, 2009

Contrabando

Vem, vamos embora
Contrabandear aventuras
Em sonhos vadios.
Embriagar passos que esqueço
Enquanto canto canções que invento.

Quero beijos na vidraça,
Quero o mudo e suas palavras
O vento traz a falta
Sobre a hora que não passa.

Três séculos de espera
E ainda é véspera de existir
Morro na emboscada da rede
E acordo em ti.

Leleco.

quarta-feira, abril 22, 2009

Paleolítico

O caso mais difícil
A certeza do desconhecido
O efeito do meu vício
Vampiros que se alimentam de livros.

Toda dúvida mata!
Ao diabo com os erros.
Despedaço o vazio
E abandono a estrada.

É preciso ouvir as vogais
Quando todo mundo diz a mesma coisa
Assim vivo há dois mil anos.

Descubro o que se é
Antes de completar trinta.
Por excesso ou desvio
A minha poesia permanece extinta.

Leleco.

terça-feira, janeiro 13, 2009

E nesses dias de calor
Me diz quem eu sou, de onde vim ou pra onde vou?
Transpirando a falta
E desperdiçando lembranças de um antigo cobertor.


Leleco.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Mil, Mal e Meu Amor

Eu e Ela
Opostos idênticos
De nada a tudo
Em menos de um segundo.

Quero mil, mal e meu amor
Dessa vez pra ficar
Nos quatro cantos de mim,
Nas três letras do sim.

Delicadeza deliciosa
Nas manhãs que descubro o que somos
E somos o que reinventamos
A cada ano.

O infinito terminou
Quando apenas começou.
E posso dizer aos meus netos
Que eu conheci o amor.

Leleco. (Para Débora)

Dezembro


Hoje é dezembro
Eu tenho 29
Não sei se morro de rir ou de raiva
Você me abraça e o tempo desaba
E não me basta o que eu já sei
Eu sempre quero mais.

Leleco.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Sopa de Letrinhas



Duvido
Divido
Areia e vidro.
Universo
Todo agora
Nesse único e velho verso.

Volto ao zero
Vida e verbo
Um vento vadio
No meio da fila
Só para o amor continuar enlouquecido.

Um chorar de riso
Em seu beijo mordido
Palavras medidas
Sobre os pés da bailarina.

Num apartamento
Alguém assiste TV
Eu e você
Decorando o Kama Sutra
De A à Z.

Leleco. (Para Débora)

terça-feira, dezembro 02, 2008

Sapatos


Não há nada que me faça esmagar
As palavras nesse papel furado
Acordei e não encontrei
O que havia de errado.

Só se ouve o vento
Silêncio do outro,
Outro silêncio
Nas cores do outono.

Apenas confundo as sombras
Que me convidam a viver
Entre prédios cinzentos
E um estranho querer.

Três vidas esquecidas em mim
Nesse resto de cigarro.
Há convite nos sapatos:
É hora de fugir sem deixar rastro.

Leleco.

terça-feira, novembro 11, 2008

Punk-se


Aquela mulher
Pariu em Paris
Um punk de moicano
Que se dizia santo
Pra desconfiança do Leandro.


Leleco.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Jardins da Insanidade


Acontece toda vez
Que escuto os meus passos
E penso nos mínimos detalhes
Não sou mais abismo
Que ninguém.

Sou o meu anjo e meu demônio
Nos jardins da insanidade.
A imagem refletida
Da dúvida ou certeza
De onde começa a noite
Ou quando acaba o dia.

Na insônia esquecida das sombras
Ilumino minha ignorância
Vida, verbo e verso
Nesse mar deserto.

Escondo entre tijolos
As minhas verdades
Enquanto lá fora
Homens fabricam felicidade.

Leleco.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Descoberta

Vem de ontem
O bem que você me faz.
Vem de longe
O absurdo de sermos reais.

Depois de nós
Nada será novo
Saudades de outras saudades
Estranhas para mim.

Mil convites
Estampados em nosso beijo sabor arco-íris
E tão calmas calmarias.

Em loucas calçadas
Todo mundo é uma mistura como eu
Procurando a procura
De encontrar o desencontro.

Leleco.

segunda-feira, setembro 22, 2008

A Goteira


Eu sou o que não sou
Tantas mudanças pra continuar a ser o mesmo
Inquietudes risonhas
Verbo repetido em silêncio.

Serei apenas aquilo que conheço?
Quem fui eu depois?
Alegria confinada em você
Nesse mal de amor.

Tocamos outros sabores
E amanhecemos além do fim
Encolho o corpo em desespero
Nú e ridículo à espera de abrigo.
Falta ar, álcool ou verdade
Cinco meses pode ser uma eternidade?

Mergulho nossa língua
No esquecimento futuro
Atravesso o chão do nunca mais
Vestindo a loucura que te encanta.

Canto de cachoeiras,
Pingos e sereias
Água de torneira não volta
Afundo em seus lençóis
Na tarde azul que sobrou em nós.

Leleco.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Rotação


De agora em diante... tudo igual como antes.
Você com os seus, eu com a minha.
Quantas voltas a gente precisa dar pra cair no mesmo lugar?

Leleco.

terça-feira, setembro 09, 2008

A Evitação como Fuga de si mesma


Já era, cinderela!
Seu reinado enlouquecido
Seu príncipe embriagado
Seu amor invisível.

Também nós
Entre o sim e o não
Machucando palavras
Pra enganar a alma.

Assim está melhor agora, não é?!
É só evitar o meu ECO
E se esconder no túmulo de todos os vivos.

Mariposa de asa quebrada no ar parado
Para dar contorno
Aos insetos noturnos do Rio de Janeiro
E o resto é só remendar o passado.

Leleco.

quinta-feira, julho 31, 2008

A Falta

Desde que você se foi
O meu coração partiu
Hoje eu sinto menos calor
E sinto bem mais frio.
O que os olhos não vêem,
O coração pressente
Mesmo na saudade
Você não está ausente.

Em cada olhar meu
Em cada estrela no céu
Em cada flor no campo
Em cada letra no papel
Só sinto o que ninguém sente
E vou chamá-lo de Vicente.

Leleco.

quarta-feira, julho 23, 2008

Eu e meus nós


Sopra o vento sutil do verão
E volto a ser quem nunca fui
Enfim, sós
Eu e meus nós.

Deixei alguns espaços vazios
Pra você não esquecer de mim
Preservo os excessos
E alimento o meu ego.

Aproveito pra errar
Enquanto ferimos o tempo
Não me peça mais nada
Além das poesias que arrasto pelas calçadas.

Leleco.

segunda-feira, julho 14, 2008

Coleira


Na corda
Quase bamba
Do amor
Ao pé da letra
No ponto mais alto
Tristeza dilatada
Molha por dentro
E lava a alma.

Eu não gosto do certo nem do errado
Eu não gosto do doce nem do salgado
Eu não gosto da mesmice nem do inesperado
Eu não gosto do só nem do mal acompanhado
Eu não gosto do louco nem do careta
Essa é a minha última centelha
Pra você perceber
Que vira-lata não usa coleira.

Leleco.

sexta-feira, julho 04, 2008

In Vitro


Foi preciso falar do amor,
Cantar debaixo do cobertor.
Bastou explodir
Para nunca mais querer juntar.

Viva Nossa Senhora da Sacanagem!
Viva suas mini-calcinhas!
Viva o poder do imã
E do seu sutiã!

Ainda estamos no meio da fila
Ainda estamos vivos pra assustar os mortos
Mas a nossa poesia, meu bem
Perdeu espaço para a bunda da Melancia.

Artificialmente inseminados
No óvulo do futuro
Fertilizaremos felicidade, minha amada
Com papel, véu e grinalda.

Leleco.

quarta-feira, junho 25, 2008

Grito!


Nunca deixem a minha poesia

Morrer inutilmente viva!


Leleco.

Telhado


Acabei de encontrar minhas culpas
Nas desculpas de quem não amou
Arranhei o rosto com lágrimas
E deixei cair o que sobrou.

Telhado de nuvem
Protege o meu universo de remendos
O futuro se esgota
Além do vazio do medo.

Tudo pode virar ao contrário
No meu inconsciente afogado
E nada é tão grave ou agudo
No último dia do mundo.

Leleco.

terça-feira, junho 24, 2008

Vespeiro


O poeta cospe vespas ao vento
Poeiras dançam modernidades
Espalhadas no tempo.

Pulsos e impulsos
Enfeitados de silêncio
Revolta enorme contra tudo
E é uma pena eu não ser burro.

Quero apenas a saia rodada da minha amada
Girando num samba dobrado
Nos arcos em que se escondem a Lapa.

Passei a rir de tudo que esqueci
Arrepio as gavetas da cabeça
E a poesia não deu em nada
"I can`t get no satisfaction".

Leleco.

sexta-feira, junho 20, 2008

Casulo


Na próxima lua cheia
Ou no canto da sereia
Existe você por toda parte.

Na cama grande
Na cama curta
Na cama mole
No Kama Sutra
Os braços enrolados no abraço
E o dia amanhece mais leve.

Quando chegar a nossa vez
Vamos devorar o pecado
Selvagens e sábios
Desejo louco dos apaixonados.

Leve-me contigo
Nos passos em que sou além
Um soluço no futuro
E o chão já não é mais tão escuro...

Leleco.

quarta-feira, junho 18, 2008

A Ditadura & A Dentadura

É hora de multiplicar
A necessidade de sonhar
Desde que o mundo é mundo
Abandonei o hábito de experimentar.

Entre a posição e a exposição,
Há o nunca e o sempre.
E quase derramei as letras
Nos beijos que incendiaram nossa insônia.

No fim do delírio
Deslizo a sua carne com o meu silêncio
Um sorriso quase adolescente
E o futuro refletido nos dentes.

Leleco.

sexta-feira, junho 13, 2008

Escarro

Apaga
Aperta
Ausente
Amor
Confesso.

Recebo
Na cara
Um beijo
Adeus derretido
No nada.

Na janela
Ninguém me espera
Cerveja amarga
E a noite acaba.

Cuspi poesias
No chão do bar
Garçom brigou comigo:
" - No chão não se cospe o bê-a-bá".

Leleco.

sexta-feira, junho 06, 2008

Despetalado

Invada-me com seu sorriso
E que tudo nosso seja alegria
Ainda que sutil.
Aceita-me
Insano, relâmpago ou pra sempre
Agora que percebo que esqueci
Uma parte de mim em ti.

O que pensam os suspiros?
Pode engolir retratos, apagar poemas
Já estou bastante velho pra esquecer
Tudo que vivi e morri com você.

Pela última vez,
O nada imagina os dias
Que retornam sobre mim mesmo.
Não há sentido na liberdade despetalada
Rabisco de infinito a cor da estrada.

Leleco.

quinta-feira, junho 05, 2008

Resta Um

Essa é a penúltima verdade
Roubada nesse abraço.
Acontece toda vez
Que qualquer tentativa
Desequilibra minhas incertezas.

Caminho mais lento
Na presença da saudade.
Por que grito poesias
Se você só tem dois ouvidos?

Talvez eu seja loucamente lógico
Ou racionalmente óbvio.

Leleco.

terça-feira, maio 27, 2008

29 Balões

Quanto tempo produzido além dos relógios
Quem sou eu ou não ouço?
Chove, choro, vento e lamento
Os meus esquecimentos.

Quase trinta se somarem os restos
O branco aponta nos cabelos.
De ontem até amanhã
O falso se torna verdadeiro.

Bebo balões
E me sinto leve.
As nuvens me falam de outras nuvens
Pisadas pelo passo.

Encontre em mim aquilo que procura
Poesia necessária
Entre o sexo e a loucura.

Leleco.

quarta-feira, abril 23, 2008

Quase lá!!! Viva à Musicoterapia!!!

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (23), parecer favorável ao projeto de lei que regulamenta a profissão de musicoterapeuta, cuja relatora foi a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO). Como a proposta é oriunda da Câmara dos Deputados, ela será ainda votada pelo Plenário.
Pelo projeto, poderão exercer a profissão os portadores de diploma de educação superior em Musicoterapia expedido por instituições reconhecidas pelo governo federal, os portadores de diploma de escola estrangeira, desde que revalidado no país, e os portadores de diploma de nível superior que tenham exercido a atividade, comprovadamente, por cinco anos.
O PLC 25/05 define o musicoterapeuta como o profissional que utiliza a música e seus elementos como som, ritmo, melodia e harmonia para prevenir, restaurar ou reabilitar a saúde física, mental e psíquica das pessoas.
Lúcia Vânia ressaltou o grande potencial que a música possui para desenvolver e restaurar funções do indivíduo, contribuindo, decisivamente, para que ele alcance uma melhor qualidade de vida, por meio de prevenção, reabilitação ou tratamento de suas doenças.A senadora enfatizou que a Universidade Federal de Goiás, por enquanto, é a única instituição federal que oferece o curso de Musicoterapia. Ela previu, no entanto, que a aprovação do projeto certamente fará com que o curso seja criado em outras universidades. Lúcia Vânia saudou alunos e profissionais goianos presentes à votação.

terça-feira, abril 15, 2008

Receita

Duas folhas de um trevo
Silêncio na potência máxima
Sua covardia à prazo
Amontoada com os restos do que você não é.

Lançar ao fogo suas lágrimas
Misturadas com mostarda
Esperar assar até fracassar
A insanidade que conservo.

Leleco.

terça-feira, março 11, 2008

Bússola


Posso ser eu sem ser eu
Que você me entende.
Quanta vida há na estátua?
Quanta liberdade há no pombo?

Transito pelo amor,
Indefinidamente dilatado.
Sete medidas verdadeiras do tempo
E quase nada mudou.

Aposto que sei o que gosta!
Respira fundo e volta
Ainda é tempo de inventar
Mais uma chance e se perder
Na bússola que esqueceu o norte.

Leleco.

segunda-feira, março 10, 2008

Sementes

Confusos parafusos do tempo
Tocam o céu apenas de leve
Meio milímetro de onde nunca estive
Questão de escala ou de escolha?

A gravidade de uma gravidez
Nas rugas do amanhã.
Múltiplo e profundo
Os erros que deixei de cometer.

Consumo poesias caducas
Que nascem e morrem
Assim que gira o mundo.
Lanço sementes de estrelas
No universo que é você.

Leleco.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Indefinido

Cada um abre os braços,
Parte do meu destino
Produzida na multiplicação
Da necessidade de sonhar.

A tatuagem no alto do ombro
Ainda gira em relação a mim.
Lembra quando tudo parecia fácil?
Lembra quando o amor vencia o medo?

Fiquei velho e covarde!
Enterrado em dúvidas até o pescoço.
Quanto há de água neste vinho puro?
O quanto do teu sangue ainda é meu?

O tempo dilata a saudade
Quero tudo ao mesmo tempo e agora!
Quem somos nós então?
Voltamos para trás?
Viramos para o outro lado?
Tudo novo de novo?
Ah!
Esse indefinido mal de amor...

Leleco.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Confete & Serpentina


Eu não sou eu
Eu não mais estou
Eu não conheço o ponto de partida,
A chegada nem a saída
E o que sobra sou eu e minha menina
Inseparáveis como confete e serpentina.

Leleco.

Carnavalização


Meus pontos de apoio
Nos dedos que conjugam o mesmo verbo
Colcha de retalhos
No fundo de mim.

Nado no nada
E flutua o barulho violento
Do grito esquecido no tempo.

Apaguei os restos
Abandonei velhos vícios
Vesti a miséria e a alegria
Pra ilusão do carnaval.

Calculo a falta
Como se pudesse completá-la
Atravesso a lágrima
Nesse compasso binário
E finjo parecer normal.

Leleco.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Platônico

Há uma certa desordem
Nos miolos do poeta
Miojo que ninguém come!

Há um certo descompasso
No passo, no espaço
E o nada se multiplica.

Misturo a idade que o tempo nasce
Com a soma da minha insanidade
E explodo em mil pedaços.

Agora recupero a saúde,
Ainda falta o sorriso.
Modifico após a queda,
Modifico a queda!
E só assim me aproximo pelo avesso.

Eu sumo com metade
Viver ou não-viver?
Cinco minutos antes de morrer
Platão descobriu toda a verdade.

Leleco.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Diazepan 5mg


Todo mundo ao mesmo tempo
Em mil rimas e partes
Costuram despedidas na minha carne.

Acendo mais um cigarro,
Veneno que me mata lentamente.
Mais uma dose
E esqueço o som do equilíbrio.

Quero o vazio da sorte!
Qualquer palavra morta
Que explique essa preguiça do futuro,
A reinvenção do nada
Ou a enganação da vida.

Agora é fácil falsificar felicidade
Nesse Diazepan 5mg
Que me enfiam goela abaixo.
Tudo torto, tonto, sedado e enterrado
Por falta do que acreditar
Inventei um Deus
Pra justificar aquilo que ninguém soube explicar.

Leleco.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A chegada do bebê

Hoje o dia amanheceu ensolarado e eu um pouco nublado por dentro. Faltam menos de 60 horas para experimentar pela primeira vez a beleza que é ser pai. As nuvens que estão em mim não diminuem em nada o amor que sinto por alguém que ainda não conheço... elas fazem parte do medo natural de saber que esse cara tão especial possui apenas o lado direito do seu pequeno coraçãozinho. E que antes mesmo de pronunciar uma só palavra, vai ter que lutar pela vida. E como eu acredito que ele vai vencer essa! E como ele tem me ensinado sobre a força da vida...
Escuto nesse momento algumas canções em inglês pq não quero entender o que dizem, uma bebida quente cairia bem com duas pedrinhas de gelo. Andei pensando muito sobre o "poder" não estar ligado às escolhas que fazemos durante a vida e sim, às renúncias. E ser pai é renunciar tantas futuras escolhas em nome de um amor jamais imaginado por mim. Sei que nunca fui um exemplo de pessoa... já fiz muita besteira, magoei algumas pessoas, falei coisas que não deveriam ser ditas... mas agora diante de tudo isso vejo a importância desses erros ou de escolhas precipitadas. Sempre me atirei sem saber se o pára-quedas iria abrir... algumas vezes não abriu, realmente.
Alguns personagem do Bukowski, Kerouac, Kafka ou Baudelaire falariam por mim nesse momento. É bom ter livros, é bom ter um velho violão, uma estrela verde no braço, amigos espalhados e ao mesmo tempo grudados em pensamentos, um copo de whisky, um maço de Malboro Blue, uma felina carinhosa, uma Débora que transborda tanto amor que até pergunto se mereço, essa família que não poderia ser melhor...
Esse retrato se molda pra chegada do Vicente... tantas energias positivas, orações, palavras de carinho e apoio, amigos vindos de São Paulo e de tantos cantos pra encher o Hospital de amor... É bom sentir ser amado e melhor ainda saber que o seu filho está cercado por essas pessoas maravilhosas. Como disse o poetinha "Amigo não se faz, reconhece". É bom reconhecê-los!!!
Cada cantinho do meu quarto já guarda algum objeto do meu filho... sapatinhos de lã, boneco da turma do Cocoricó, mordedor, chupeta, mamadeira e babador... aliás, estou levando o meu babador pro hospital.
Dia 20 começa a nossa luta, meu filho.
Você nunca vai estar ou se sentir sozinho...
Vamos sair dessa juntos! E cada vitória sua, estarei ali observando com os olhos úmidos, um sorriso largo e aplaudindo bem forte!
Não sei o que seremos no próximo minuto ou quantos minutos o Universo vai nos permitir... mas isso pouco importa pra eternidade que é você em mim.
Te amo, meu filho tão amado.
Você já é um grande vencedor!! Não falo no sentido de ser o melhor, mas por ter lutado 9 meses pela vida no útero e ter chegado até aqui...
A gente se (re)encontra na quinta-feira (20/12) às 6 horas da manhã no Centro Cirúrgico e dali pra sempre.
Até breve Vicente.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Pai de um Cardiopata

Ser pai de cardiopata, é abdicar de planos e sonhos para viver uma vida de incertezas e sustos. É travar pequenas batalhas todos os dias esperando que no final da luta saíamos todos vitoriosos, quando na verdade a grande vitória é nos mantermos de pé. É rezar todos os dias para que possamos ver nossos filhos crescerem, irem a escola, namorarem, casarem terem seus próprios filhos, mas acima de tudo, amar tanto, tanto, que em alguns momentos apenas desejamos que eles não sofram mais. É aprender a compartilhar a dor, entendendo que dor de pai não tem tamanho nem intensidade, é simplesmente DOR. É descobrir que ser pai é ter um estoque infinito de AMOR e de FORÇA, é brigar como nunca imaginamos que poderiamos, é chorar, rir, se desesperar, mas nunca desistir. É ter marcas que jamais se apagam, que nos fazem recordar o quanto tudo valeu a pena. É sentir a angustia da impotência e a felicidade de podermos estar aqui para dar a mão a estes seres tão especiais. É não saber até quando teremos estes anjos conosco, e mesmo assim, agradecer cada minuto que estamos ao seu lado. É finalmente compreender que amor de pai não respeita tempo nem espaço, ultrapassa os limites do infinito e da própria vida, sempre existiu e sempre existirá.

Quanto Vale?

A vida dura só um dia
Um pulo, um grito
Um gole, um gemido
Um sorriso, um abraço
E um suspiro...

Leleco.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Vicente

Bate coração pela metade
Sua vida senão eu piro
Viro pro lado e não durmo
Distante é o lugar que não quero estar.

O esquerdo e meu medo
Eu já amo tanto você
E cadê?
Será pedir demais?

Comigo até o meu último suspiro
Sempre soube como vencer
Agora sou incapaz de compreender
O que sente meu filho Vicente.

Leleco.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Viva a Musicoterapia!!!

Por unanimidade, a Comissão de Educação (CE) aprovou na manhã desta terça-feira (18) parecer da senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) favorável ao projeto de lei da Câmara 25/05 que regulamenta a profissão de musicoterapeuta.

O projeto descreve o musicoterapeuta como o profissional que utiliza a música e seus elementos - som, ritmo, melodia e harmonia - por meio de técnicas específicas, com a finalidade de prevenir, restaurar ou reabilitar a saúde física, mental e psíquica das pessoas.

De acordo com a proposta, poderão exercer a profissão os portadores de diploma de educação superior expedidos por instituições reconhecidas pelo governo federal. Também serão reconhecidos os diplomasde graduação em Música com habilitação em Musicoterapia.

As pessoas que, na época de entrada em vigor da lei, tiverem pelo menos cinco anos de experiência comprovada em musicoterapia e possuírem diploma de nível superior poderão também requerer o registro como musicoterapeuta.

Na presidência da comissão, o senador Flávio Arns (PT-PR) elogiou o parecer da senadora Patrícia Saboya e foi aplaudido por um grupo de representantes de entidades de musicoterapeutas presentes à reunião.


Agora falta bem pouco...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Nessa Rua

Nessa rua
Homens desfilam carros
Escarro os meus traumas
Na tosse forte da existência.

Aprendo nas diferenças
O igual e seus porres
Vomito meus risos
Na cara da morte.

A volta da vodka
Pra comemorar a sua Revolução Espanhola
Felicidade é a palavra que explode
Dentro do avião que decola.

Respiro o Rio que me arrepia
O futuro cresce na ultra-sonografia
Ah!
Esse amor e minha genealogia...

Leleco.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Pecados

Eu também procuro por mim
E o que você sabe?
Sou a loucura que se mistura,
Essa garrafa de uísque
E três poemas de Leminski.

É bem fina a parede
Que separa o outro lado da meia-noite
Aproveito e engano a morte
Com pequenas doses de sede.

Ensaio a própria mentira na poesia
E todo mundo ao mesmo tempo
Encontra verdades
E nunca a saída.

Engole o verbo
Pra fingir que é amor
Flores num quadro qualquer
Só pra iluminar esse vaso vazio.

Visto o frio e esqueço o casaco
Amanhã eu caso
E ainda não sei onde enterrar meus pecados.

Leleco.

quarta-feira, junho 27, 2007

O AR-TISTA

Apaga o sol esta noite
Fantasmas inventam notícias
E o imprevisível artista
Por migalhas se humilha.

Essa multidão de santos
Que sufocam fiéis desesperados
Dentro de igrejas vazias
Prometem a salvação das almas
Pagando o dízimo do dia.

Vestido de silêncio
Desfilo pelas ruas
A minha barriga nua
Exposta ao vento
E três meses de vida ali dentro.

Cultivam ignorantes na TV
Permaneço surdo a tudo
E agora o imprevisível artista
Por seu filho respira...

Leleco.

quinta-feira, junho 21, 2007

02:21 am

Uma cerveja e dois copos
Vento, poeira e pó
E o ar solto no fim.

Invento rimas em voz alta
Enquanto espero a língua materna
Engravidar de mim.

Apago o fogo dos cabelos
Com tinta pra carimbo
Começo e termino ao mesmo tempo
O meu mundo invertido.

No meu crânio branco
Um redemoinho grande o bastante
Não sou o mesmo
E continuo o mesmo.

Assim assado posso me encontrar
Do outro lado do espelho.

Leleco.

sábado, junho 16, 2007

Padaria

Foram quatro garrafas no final
Pouca Antártica para muita saudade
Nossas diferenças são tão parecidas
Quando um copo encosta o outro
E grita o som do reencontro.

Nenhum lugar é como aqui,
Nossa composição descombinada
O seu cabelo avermelhado
E o sorriso do meu nada.

A padaria já vai fechar
Último gole é sempre o mais leve
Passos curtos,
Abraço apertado
E um "até breve!".

Leleco.

terça-feira, maio 22, 2007

Ao seu redor (Para Ele ou Ela)

Todo o resto nasce em mim
E por alguns instantes encontro Deus
Abrigado na barriga do tempo.

O zero e o infinito
No universo em torno de nós
O vazio é menos transparente
Quando se transborda de vida.

Misturando eu e você
Forma o nosso mundo de cores
Em definitiva continuação do amor.

Poucas palavras
Durante a sua espera
Fralda, chupeta, babador
E meu coração ao seu redor.

Leleco.

quarta-feira, abril 25, 2007

Útero (Les Hommes et la Mort)

E agora querem
Que eu fale do meu velório,
Da cera no fim da vela,
Esse fim de cena
Imagem do poema.

Enquanto peixe morre afogado,
Continuo arremessando os dados
Pra equilibrar algum Deus
Em busca de trocados.

A ejaculação é o ponto final
Do útero moderno.
Nenhuma dor ou amor
Deve ser eterna.

A minha língua para o seu silêncio
Improvável sobreviver
E alimento da sorte
No pulso e seus cortes.

Leleco.

sexta-feira, março 30, 2007

Abelha

Abelha minha,
Amor delicioso e fatal o nosso
Como se existisse todo veneno
Capaz de me enlouquecer.

O tempo me enterra
Cada vez mais na sua vida.
Minha liberdade atada
Na paixão que sinto por você.

É hora de dividir
Colchão, discos, sorrisos e amigos
E transformar nossos dias
Em gato, conchinha e alegria.

Tudo é meio cinza
Sem você por perto.
Abro a porta, acendo velas
E pergunto aflito:
"-Quer casar comigo?!".

Leleco.

quinta-feira, março 29, 2007

I` m worried about you

O que você quer de mim?
Sou esses três copos de cerveja,
O cigarro que corta o meu fôlego
E um resto de palavras vazias.

O que você espera de mim?
Humano é aquele que se engana
E que só assim encontra a razão.

Por que você espera verdades
Se sou a mentira de meus pais?
Em frente ao espelho
Reconheço minhas fraquezas
Estampadas na arte grega.

Por que se preocupa comigo?
Eu sempre apago os erros
No tempo que me mata
E me transforma nesse eterno primata.

Leleco.

terça-feira, março 27, 2007

O Cinza

Pétalas murchas
Do plástico flor.
O outono favorece meus encontros
Com verdades incolores.

Os dois movimentos do sim
Desprezando a República de Platão
Cinza ou não cor da solidão?
Fabrico minhas próprias misérias
No bolso de suas moedas.

Pedaço de amor velho
É mais saboroso depois do almoço
Eu e meus mil nós
Calam em boca francesa
Dúvidas e incertezas.

Leleco.

sexta-feira, março 23, 2007

Depois do Fim

Deus inacabado
Na madeira morta dos homens
Prego e chicote
Ofuscam e reforçam
Voltaire, Baudelaire, Balzac e Madre Tereza de Calcutá.

Procuro por dobras,
Experimento a troca.
Desce da cruz, Jesus!
E encara o olhar de crianças inimigas
Em Hiroshima, Paquistão e no Complexo do Alemão.

Acreditei até ontem
No passado congelado do mundo
Inevitável verdade que o tempo revela
Nas lágrimas dos inocentes.

Cada vez mais o nada
Se aproxima da existência
E depois do fim,
Mil certezas na vergonha de minhas falhas.

Leleco.

quinta-feira, março 08, 2007

Acima de tudo Rubro-Negro

"Serei Flamengo mesmo que a bola não entre, mesmo que o Maracanã se cale, mesmo que o manto sagrado desbote, mesmo que a vitória esteja longe. Serei Flamengo, seja longa a jornada, seja dura a caminhada, Flamengo no peito e na alma, no grito e nas palmas, Serei Flamengo até morrer!"


Campeão da Taça Guanabara 2007.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Mini-poema da Felicidade

Água gelada molha
Nossos pés na beirinha do mar
É melhor me afogar em você
Antes que acabe a água desse aquário.

Só se vê o vento
No cabelo da mulher mais linda
E na janela desse trem
Agora sei o que nunca termina.

Ensaio frases com letras mortas
Durante o seu sono
Só pra quando acordar
Ouvir você dizer o quanto eu ronco.

Um dia após o outro,
Mundo cão na lucidez do louco,
Meu coração na bandeja
Esperando o padre dizer: "-Que assim seja!".

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

Tristeza não tem fim
Felicidade sim...

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira.

(Tom Jobim/ Vinícius de Morais)